Pesquisadores desenvolvem método para prever quadros depressivos em crianças brasileiras

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), em 2018, 300 milhões de pessoas ao redor do mundo sofriam de depressão. No Brasil, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, em 2017, que 5,8% da população enfrentava o distúrbio, o que equivalia a 11,5 milhões de pessoas.

Apesar de ser difícil prever os quadros, a prevenção e o diagnóstico têm ganhado cada vez mais espaço nas pesquisas científicas e artigos acadêmicos. A novidade é que, agora, uma pesquisa liderada por profissionais do King’s College London, no Reino Unido, desenvolveu um método que poderia ajudar a identificar quadros depressivos ou o alto risco de desenvolver o distúrbio em crianças.

As análises foram baseadas em dados de quase 2,2 mil crianças brasileiras de 15 anos de idade. As informações analisadas envolviam parâmetros sobre saúde física, gênero, raça, classe social, desempenho escolar, uso de drogas e atitudes que os pequenos têm dentro do lar. A partir destes dados, os cientistas acreditam que é possível prever se o indivíduo se tornará depressivo ao chegar aos 18 anos.

Apesar dos vários fatores que podem agravar os casos da doença, 11 fatores são essenciais para garantir eficácia dos resultados. Estas características são sexo biológico, cor da pele, uso de drogas, isolamento social, ir mal na escola, envolvimento em brigas, relações ruins com a mãe, com o pai ou com os dois, maus tratos infantis e histórico de fugir de casa. A eleição destes pontos de avaliação se deu pelo fato de serem fáceis de captar e terem uma associação forte com a depressão.

Os jovens que participaram do estudo foram acompanhados pelos pesquisadores dos 15 até os 18 anos, a fim de comprovar a eficácia do novo método de diagnóstico. Após as análises dos resultados, o estudo foi aplicado em mais de 1,1 mil britânicos e 739 neozelandeses de 12 anos de idade. Contudo, os cientistas foram levados a concluir que os parâmetros não são equivalentes, uma vez que a medida não foi efetiva nestes dois outros países. Além disso, a falta de êxito nas análises também pode ter acontecido pelo fato de os pesquisadores não terem conseguido a mesma profundidade informativa em comparação com o estudo realizado com brasileiros.

O estudo foi publicado no periódico American Academy of Child and Adolescent Psychiatry e co-escrito pelo doutor Christian Kieling, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. As análises faziam parte do projeto Identifying Depression Early in Adolescence (IDEA), fundado pela MQ, uma organização não governamental de pesquisa.

Fonte: Revista Casa e Jardim

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