Pesquisa mostra que resiliência está vencendo a solidão na pandemia



Há algumas semanas, publiquei coluna com as “receitas” de resiliência de idosos que, isolados por causa da quarentena, encontravam força e motivação para não se abater. Pesquisa da faculdade de medicina da Florida State University mostra que a capacidade de adaptação das pessoas é admirável e que a resiliência está vencendo a solidão nesta pandemia. Saber que esse é um desafio de toda a humanidade tem sido uma arma para seguir em frente – como se sentir completamente só se tantos estão na mesma situação?

Os pesquisadores entrevistaram mais de 2 mil pessoas, nos Estados Unidos, antes e durante a quarentena imposta pela Covid-19. O estudo, publicado na revista acadêmica “American Psychologist”, apontou que houve uma mudança de percepção em relação à solidão nesse período. Na verdade, muitos tornaram os contatos com amigos e parentes mais frequentes. Além disso, os entrevistados avaliaram positivamente a rede de suporte e solidariedade criada durante a pandemia.

“Havia muita preocupação de que a solidão fosse crescer dramaticamente por causa do distanciamento social e das restrições de deslocamento. No entanto, descobrimos que, de um modo geral, o sentimento de solidão não aumentou. Na verdade, as pessoas se sentiram até mais amparadas do que no período pré-pandemia. Apesar de isoladas fisicamente, o apoio de terceiros e o entendimento de que todos estão juntos nessa situação ajudaram a limitar os efeitos negativos da solidão”, afirmou Martina Luchetti, professora da universidade. O trabalho é parte de um estudo mais amplo que os pesquisadores realizam sobre os impactos na saúde mental durante a crise e de que forma os fatores psicológicos podem contribuir nas respostas para a pandemia. O painel era composto por indivíduos entre 18 e 98 anos. O grupo foi entrevistado no começo de fevereiro, quando o novo coronavírus ainda parecia um problema restrito à China. Depois houve outras duas rodadas de perguntas: no meio de março e no fim de abril.

O levantamento também se debruçou sobre grupos de risco específicos, como os idosos. Entre eles, foi detectado um ligeiro aumento de solidão, sentimento que apareceu com mais força entre os jovens – esses merecem atenção de pais e responsáveis. Para os portadores de doenças crônicas, a dor de se sentir só coincidiu com o início da pandemia, diminuindo quando as medidas restritivas passaram a valer para todos. Já está bastante documentado o efeito nocivo da solidão, um fator relevante para o aumento de morbidades e mortalidade antes da pandemia. De acordo com estudos anteriores, a queixa era relatada por 35% dos adultos acima dos 45 anos; entre os acima dos 60, 43% diziam se sentir só pelo menos parte do tempo.

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