Pesquisa avalia burnout entre as gerações de médicos

Embora todas as gerações de médicos enfrentem diferentes graus de desgaste (burnout), os médicos da geração X (40 a 54 anos de idade) apresentam os maiores índices de burnout, segundo a nova enquete do Medscape.

No Medscape National Physician Burnout and Suicide Report 2020 : The Generational Divide, 48% dos médicos da geração X disseram estar com burnout, em comparação com 39% dos baby boomers (55 a 73 anos de idade) e 38% dos millennials (25 a 39 anos de idade).

“A metade da vida profissional é tipicamente a época de maior burnout“, disse ao Medscape a Dra. Carol A. Bernstein, médica e vice-diretora de desenvolvimento docente no Montefiore Medical Center, nos Estados Unidos. Também é provável que esse grupo esteja fazendo malabarismo com outras funções fora do trabalho, muitas vezes cuidando de crianças e dos pais envelhecendo ao mesmo tempo, observou.

Mais de 15.000 médicos de 29 especialidades responderam à pesquisa.

Os números globais do burnout diminuíram de 46% das enquetes do Medscape feitas há cinco anos para 44% em 2019 e 42% em 2020.

Algumas especialidades permanecem no topo da escala de burnout

No entanto, algumas especialidades permaneceram no topo durante este tempo: neurologia, urologia, medicina de família, tratamento intensivo, medicina interna e medicina de emergência.

A urologia e a neurologia foram as primeiras da lista este ano (54% e 50%, respectivamente), assim como no ano passado.

A saúde pública e a medicina preventiva tiveram o índice de burnout mais baixo (29%), seguidas da oftalmologia (30%).

A tendência das mulheres, de informarem mais o burnout do que os homens, também continuou este ano (48% e 37%).

Mais médicos estavam felizes com suas carreiras (59% estavam extremamente, muito ou pouco satisfeitos) do que os que não estavam. Mas isso é menos do que em muitas outras profissões.

No ano passado, uma enquete da CNBC descobriu que 85% dos trabalhadores norte-americanos estavam ao menos um pouco satisfeitos com seus trabalhos.

Disposto a trocar dinheiro por equilíbrio

Nas três gerações, quase metade (49%) disse que estaria disposta a receber menos para obter mais equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. Um quarto dos millennials e um terço dos baby boomers disseram que estariam dispostos a abrir mão de 20 a 50 mil dólares por ano de seu salário para ter mais tempo – entre 1.500 e 4.150 dólares por mês.

“As expectativas sobre o que é a carreira de médico em 2020 está mudando”, disse ao Medscape a Dra. Halee Fischer-Wright, médica e diretora executiva do Medical Group Management Association.

“Os médicos reconhecem que atender menos pacientes pode lhes dar mais tempo com os pacientes e a possibilidade de exercer a medicina dando o melhor de si, reduzindo as horas de trabalho sem ser atendendo os pacientes e aumentando a satisfação pessoal, que em última análise pode diminuir o burnout e prolongar a carreira”, disse Dra. Halee.

As tarefas administrativas são as piores

O que ganhou em termos de burnout novamente este ano foram as muitas tarefas administrativas entre as três gerações (54% a 57% dizem que isto é o pior). Os baby boomers foram os únicos a listar “a crescente informatização da prática clínica” entre suas três principais preocupações. Os millennials mencionaram as constantes exigências de registro nos prontuários eletrônicos em penúltimo lugar ao elencar suas 10 maiores preocupações.

As três gerações mencionaram trabalhar durante muitas horas entre os três principais fatores de estresse.

Os baby boomers, que fizeram parte da mudança do profissional autônomo para o funcionalismo e dos prontuários de papel para os eletrônicos, foram o grupo com maior probabilidade (50%) de dizer que o burnout teve uma repercussão importante na sua vida, comparados com 46% dos médicos da geração X e 36% dos millennials, que deram a mesma resposta.

No entanto, os millennials tiveram mais probabilidade de dizer que o burnout compromete seus relacionamentos. Entre os millennials, 77% informaram ter tido impacto nos seus relacionamentos, em comparação com 69% dos baby boomers.

Indagados sobre como lidam com o burnout, os médicos em geral disseram que o isolamento e a prática de exercício são suas principais estratégias (45% cada), seguidas de conversar com amigos íntimos e/ou familiares (42%) e dormir (40%).

Tragicamente, alguns trabalhos mostram que um número estimado de 300 a 400 médicos por ano escolhem o suicídio. A enquete em tela indicou que 1% dos médicos e 2% das médicas tentaram suicidar-se.

Quase um quarto dos médicos (23% dos médicos e 22% das médicas) tiveram pensamentos suicidas, sem passar ao ato.

O percentual dos que tiveram pensamentos suicidas ou fizeram tentativas de suicídio foi muito semelhante entre as três gerações.

Corrigir o sistema, não o médico

Ainda assim, poucos procuram ajuda, em qualquer geração. Somente cerca de 12% a 14% disseram que estão procurando ajuda agora; entre 61% e 64% disseram não ter procurado ajuda no passado e que não planejam procurar.

Além disso, apenas 28% do total de médicos disseram que seus locais de trabalho oferecem programas para ajudar a reduzir o burnout ou o estresse.

Um cardiologista que respondeu à pesquisa disse: “Não me parece que o burnout seja um problema psiquiátrico ou meu problema pessoal. Eu acho que é inerente ao atual formato de atendimento na saúde, pelo menos nos Estados Unidos.”

A Dra. Wendy Dean, psiquiatra e fundadora do Moral Injury Healthcare , uma organização de defesa que trabalha para compensar o “dano moral” das profissões de saúde, concorda. Está escrito no topo da página site da organização: “Dano Moral – NÃO é burnout“.

A Dra. Wendy disse ao Medscape que, apesar de as instituições de saúde com frequência se concentrarem no bem-estar dos médicos, oferecendo aulas de ioga e estimulando o autocuidado, “encontrar soluções exige que abordemos o problema como ele é: um desafio inerente à estrutura da indústria da saúde”.

Fonte: Medscape

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