Pesquisa aponta que intensidade demais em exercícios físicos prejudica bem-estar mental



Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), da Universidade Federal do Ceará (UFCE) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) mostra que a realização de exercícios físicos de forma exagerada durante o isolamento social pode piorar o bem-estar das pessoas.


Segundo o levantamento, indivíduos sedentários que passaram a se exercitar somente na quarentena, apresentaram piores níveis emocionais do que quem já praticava exercícios. Da mesma forma, aqueles que mantiveram uma rotina de exercícios e aumentaram a intensidade, também tiveram baixos índices de bem-estar. "Somente as pessoas que começaram a realizar exercícios gradativamente apresentaram um nível saudável de bem-estar. Isso confirma que o aumento da intensidade em que as atividades são realizadas fazem mal para a nossa saúde", afirma o professor Alberto Filgueiras, do Instituto de Psicologia da Uerj. O estudo analisou o bem-estar subjetivo com uma ferramenta psicométrica conhecida como Pamas, uma espécie de lista de afetos positivos e negativos.

O afeto positivo reflete o quanto uma pessoa está entusiasmada, ativa e alerta, enquanto o afeto negativo é uma dimensão geral da angústia e insatisfação. Com isso, é possível analisar o quanto o indivíduo está satisfeito e confortável com a sua vida. Entre os entrevistados, 63% eram mulheres e 37% homens. Segundo o professor, mulheres tendem a apresentar piores níveis emocionais em relação a exercícios físicos. Durante o período em que o estudo foi realizado, o sexo feminino foi o mais afetado pelo estresse causado pelo confinamento. "Coletamos dados nos momentos mais críticos do isolamento e isso mostrou que elas são mais pressionadas na realização de atividades físicas pela busca de um resultado imediato. A estética da nossa sociedade também cria uma expectativa de que o sexo feminino precisa estar em forma, isso não é cobrado dos homens". Uso de aplicativos Segundo o estudo, a quarentena aumentou o uso de aplicativos para auxiliar, na prática de atividades físicas. Antes da pandemia, somente 4% dos entrevistados acessavam aplicativos para malhar, com o isolamento o número cresceu para 60%. "A falta de individualização dessas ferramentas em determinar um treino adequado para cada pessoa, especificamente, pode causar uma frustração. Geralmente, os aplicativos apresentam treinamentos generalistas que trabalham todas as musculaturas do corpo usando o peso corporal. No entanto, ele desconsidera o histórico de cada um, como o nível de sedentarismo, a prática de atividades e o próprio peso". "Esses treinamentos não individualizados geram um mal-estar pessoal. No sentido de que uma pessoa não consegue realizar um exercício que foi predeterminado para ela nesse aplicativo". Mudança de ambiente Outro fator que impactou negativamente o emocional dos entrevistados foi a mudança no ambiente em que a atividade era praticada. Antes da pandemia, 27% das pessoas se exercitavam ao ar livre.

Açúcar: quais são as opções para adoçar os alimentos e quais são as mais saudáveis? Os exercícios praticados antes da quarentena que envolviam contato físico - como esportes coletivos, academias e natação - foram substituídos por treinos de força física, que passou de 5,2% para 13,9%, e treinamento funcional, que aumentou de 4,4% para 49,3%, segundo o estudo. "É importante frisar que a prática regular de exercícios físicos são extremamente benéficos para o bem-estar das pessoas. O que precisamos ter atenção é com a frequência e a intensidade que essas atividades estão sendo realizadas e tomar cuidado com mudanças inesperadas dos nossos hábitos em relação aos exercícios", afirma Filgueiras.


Fonte: G1

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