Peru sofre consequências da pandemia na saúde e na economia



A pandemia do novo coronavírus arrasou economias no mundo todo, mas na América Latina a tendência é que ela afete ainda mais devido às condições socioeconômicas locais. O Peru foi um dos primeiros países da região a tomar medidas para conter o avanço do vírus, mas isso não evitou o baque, nem mesmo o alto número de mortos.


O Peru tem mais de 570 mil casos confirmados de covid-19 e registra pouco mais de 27 mil mortos, segundo o Ministério da Saúde. Estes dados colocam o país andino entre os dez com maior números de mortos no mundo.


Se levamos em conta apenas a América Latina, o Peru está em terceiro lugar com mais vítimas fatais por covid-19. Com uma população de quase 32 milhões de pessoas, o país apresenta mais de 17 mil infectados por milhão de habitantes. 


Baque na economia

Somada à emergência sanitária da pandemia, o país já perdeu 6 milhões de postos de trabalho formais. De acordo com a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe), o PIB (Produto Interno Bruto) do país pode cair até 13%, sendo um dos mais afetados da região.


Além da situação dramática na saúde e na economia, o país também enfrentou duas trocas de ministros da Saúde nos últimos meses, além de trocas em outros ministérios. Na ocasião, meios de comunicação local disseram que a aprovação do governo estava em queda.


Na última quarta-feira (19), o presidente Martín Vizcarra se reuniu com um grupo de ministros para discutir quais serão as próximas ações do governo no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus e também da como será feita a reabertura da economia.


Carta ao presidente

O chefe da Defensoria Pública do país, Walter Gutiérrez Camacho, protocolou uma carta aberta ao presidente Vizcarra com duras críticas às ações do governo com relação à pandemia no país. Ele destacou que desde que o primeiro caso de covid foi confirmado em território peruano medidas sanitárias foram tomadas.


"O governo dispôs com prontidão um estado de emergência nacional com medidas extremas para evitar o contágio massivo na população, como o confinamento rígido, fechamento total da fronteiras e o toque de recolher", diz trecho.


Para ele, o "regime de exceção" instaurado pelo governo deveria ser transitório e não deveria durar tanto. Contudo Camacho afirma, que depois de cinco meses de todas essas medidas, o país vive o momento mais crítico da pandemia.  


"Um sistema de saúde colapsado, uma grande crise social que afeta severamente os direitos fundamentais das populações mais vulneráveis, no acesso à alimentação, habitação, educação, entre outras necessidades básicas, e o colapso do sistema econômico", reforçou.


O defensor criticou também a renovação de medidas que já haviam sido abolidas, como a restrição de locomoção aos domingos. Além da falta de transparência de informações e ações. Para Camacho, Vizcarra precisa articular melhor o governo nos níveis regionais, e contra com outros movimentos sociais para frear o contágio comunitário.


Reabertura da economia

Apenas os voos nacionais retornaram, mas o internacionais ainda não têm data para voltar a operar. A ideia era fomentar o turismo interno, como parte do projeto de reativação da economia, contudo, alguma regiões do país continuam sob restrições e medidas sanitárias rígidas.


O ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Estremadoyro, afirmou que ainda não existe data para o retorno da operação dos voos internacionais, o que afeta diretamente o setor do turismo no país. "Este não é o momento certo", disse o ministro, já que não foi possível controlar a propagação da covid-19.


As regiões onde estão sendo aplicadas restrições de locomoção são Arequipa, Ica, Junín, Huánuco, San Martín e Madre de Dios; e também em 36 províncias de outros 13 departamentos.


População indígena

Na última segunda-feira (17), o Comitê da ONU (Organização das Nações Unidas) para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD) lançou um alerta sobre a situação dos povos indígenas do Peru diante da pandemia do coronavírus e instou o Estado a garantir o acesso à saúde, medicamentos e assistência social.


De acordo com a Aidesep (Associação Interétnica para o Desenvolvimento da Selva Peruana), maior federação indígena do país, estima-se que existam mais de 10 mil membros dessas comunidades infectados e 384 mortos. No entanto, não existem dados sobre elas nos relatórios oficiais.


O departamento andino de Ayacucho, no sul do país, é uma das regiões que não aponta oficialmente as cifras de indígenas infectados. O argumento apresentado é que não inclui essa distinção nos relatórios porque não haveria evidências de contaminações entre as etnias.


Contudo, a Defensoria Pública constatou evidências de 97 casos de coronavírus nos bairros de Ayacucho onde existem comunidades indígenas das etnias Ashaninka e Nomatsiguenga, "mas o número de contaminados é desconhecido".


Greve dos médicos

Entidades que representam os trabalhadores da saúde manifestaram insatisfação com a forma como o governo está lidando com o problema e reclamaram da falta de estrutura e profissionais, além da falta de pagamento dos médicos autônomos contratados na pandemia. Pelo menos 125 médicos morreram de covid no país.


Na quarta-feira (19), a Federação Médica do Peru convocou uma greve de 48 horas para os dias 26 e 27 de agosto. Entre as principais reivindicações estão a necessidade de equipamentos de proteção individual adequados para tratar casos de covid-19 e assegurar que eles cheguem aos médicos autônomos contratados pelo Ministério da Saúde para lidar com a pandemia.


Segundo Godofredo Talavera, presidente da entidade, ainda são necessários 16 mil médicos no sistema de saúde pública peruano, além de mais medicamentos, camas e oxigênio. A principal reivindicação é aumentar o orçamento da saúde para 5% do produto interno bruto (PIB).


Fonte: R7

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