Parto prematuro: por que acontece e quando é possível prevenir?


Em todo o mundo, cerca de 15 milhões de crianças nascem prematuras por ano, dos quais 1 milhão não resistem, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, 340 mil bebês nascem prematuros todo ano, o equivalente a 931 por dia ou 6 a cada 10 minutos. Há algumas semanas, o comediante Whindersson Nunes e sua noiva, Maria Lina, viveram a perda do pequeno João Miguel, que nasceu às 22 semanas de gestação e não resistiu.


Mas o que causa o nascimento prematuro? Será que é possível prevenir alguns desses casos?

O parto prematuro, em geral, está relacionado à abertura prematura do colo do útero, e pode não apresentar qualquer sintoma, não tendo como ser descoberto, exceto por um ultrassom transvaginal, quando ocorre por conta de uma incompetência istmo-cervical - condição que provoca dilatação anormal do colo do útero na metade da gravidez, dificultando a continuidade da gestação.


“Nos dias atuais, é sugerido pelas sociedades nacionais e internacionais que esse ultrassom seja feito entre 18 e 24 semanas de gestação, como prevenção à prematuridade, inclusive em mulheres que não têm qualquer histórico anterior. Quando há o histórico, esse rastreio pode ser feito antes”, explica à CRESCER o ginecologista e obstetra Guilherme Loureiro, do Hospital e Maternidade Pro Matre (SP). Segundo o especialista, a prematuridade é a maior causa de mortalidade perinatal e até os 5 anos de idade. Por isso, a identificação com antecedência é tão importante.


Infecções na mãe também podem provocar o nascimento do bebê antes da hora, e em geral podem ser tratadas previamente. “A infecção urinária, por exemplo, poderia causar parto prematuro e pode ser tratada no pré-natal”, explica o pediatra neonatologista Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Academia Americana de Pediatria (AAP).


O parto prematuro também pode ser necessário quando a gestante está em risco, como no caso de pressão alta que não consegue ser controlada com medicamentos. Mas o pré-natal, quando realizado corretamente, é capaz de prevenir ou controlar algumas dessas causas.


Os desafios de um prematuro


Ejzenbaum explica que qualquer criança nascida com menos de 37 semanas é considerada prematura. Existem ainda casos de prematuridade extrema, que são aqueles em que o bebê nasce com menos de 28 semanas. “Considera-se a prematuridade viável a partir de mais ou menos 20 semanas, ou um bebê que nasce com mais de 500 g. Embora já tenhamos casos de crianças menores que sobreviveram”, conta o médico.


A pediatra neonatologista Vanessa Moawad conta que a chance de sobrevivência de um bebê de 6 meses varia de 2% a 15% aproximadamente. “Mas cada bebê é único e sempre depende do caso”, ressalta a médica.


Um bebê prematuro de 22 semanas pesa em média 400g e tem aproximadamente 26 cm. Ainda não tem os pulmões formados, a pele é muito sensível e possui pouco tecido gorduroso. Além disso, o sistema auditivo do bebê ainda não está maduro, bem como as células do pulmão.


“Nesta fase, o pulmão ainda não consegue realizar espontaneamente trocas gasosas, por isso o bebê precisa de tecnologia e medicamentos que mantêm essa função presente, até que ele possa fazê-lo espontaneamente, mas a recuperação de cada bebê é muito individual", completa o Loureiro.


Um bebê considerado prematuro extremo ser encaminhado para a UTI neonatal e provavelmente será intubado, além de receber surfactante pulmonar (substância que ajuda no amadurecimento do pulmão). “O bebê vai estar dentro de uma incubadora para regular a temperatura e a hidratação da pele, já que é muito fina e perde muito líquido. A internação dura, em média, cerca de cinco meses, e o bebê pode receber alta quando atingir aproximadamente 2 kg”, explica Vanessa.


Em geral, a criança consegue respirar e engolir ao mesmo tempo somente a partir de 34 semanas, então, até essa idade, ela precisará ser alimentada por meio de sonda. Ainda assim, é fundamental que a mãe receba orientações quanto ao estímulo da mama, para extrair leite e estocar, para quando o bebê puder receber o alimento, que é a principal arma para a imunidade.


Ejzenbaum destaca ainda que o maior indicativo de sobrevivência do bebê é o peso. Outros fatores importantes são a resposta do organismo ao tratamento e a maturidade pulmonar. A mãe e o pai podem (e devem) estar presentes desde o início do tratamento, mas, muitas vezes, em casos de prematuridade extrema, não é permitido segurar o bebê. Os médicos analisam cada caso, com base nas condições de saúde do bebê, e ainda que não seja permitido dar colo à criança, é importante que ela ouça a voz dos pais e sinta a presença e os cuidados deles.


“O maior desafio para o bebê é sobrevivere os pais devem lembrar que cada dia é uma vitória. Um recado para os pais de prematuros é esse: comemore a cada dia, todas as conquistas. Assim, o tempo vai passando e o bebê vai crescendo”, aconselha a neonatologista.


Fonte: Revista Crescer

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