Paraná tem 663 pessoas na fila por leito de UTI para Covid-19


O aumento do número de casos graves de Covid-19 pressiona a ocupação hospitalar. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), 633 pacientes aguardam por uma vaga em leitos de UTI específicos para tratamento da doença na sexta-feira (11) e, com isso, o Paraná é o estado da região sul com o maior número de pacientes em fila de espera.


Dados das Secretarias Estaduais de Saúde do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina indicam que há 68 e 58 pacientes, respectivamente, aguardando por um leito de UTI nos dois estados.

Com tanta gente na fila aguardando por uma vaga no sistema público de saúde, nem sempre os pacientes têm tempo de esperar.

Em Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná, o marido e o filho de Luciana Strach positivaram para a Covid-19 e, sem leitos disponíveis pelo SUS na região, os dois precisaram ser internados em um hospital particular na cidade.

Um mês após as internações, a família possui uma dívida de R$ 35 mil com a instituição de saúde e gasta cerca de R$ 2,5 mil por semana com remédios para o tratamento pós-Covid. “Nós não tínhamos condições de pagar pela internação, mas para manter os dois vivos não pensei duas vezes. A preocupação com o dinheiro fica em segunda plano”, contou Luciana. No noroeste do Paraná, em São Manoel do Paraná, a professora Maria Josefa da Silva Tamiozzo viveu momentos de desespero uma semana depois de apresentar os primeiros sintomas da doença.

Como o município não tem hospital, só possui um posto de saúde, a professora, que tem 52 anos e é asmática, precisou ser levada às pressas para um hospital de Cianorte, referência em atendimentos, quando o quadro se agravou.

No entanto, ao chegar de ambulância do município e respirando com ajuda de oxigênio, o hospital não tinha vaga. "Foi um desespero porque o oxigênio da ambulância estava acabando. Foi uma mobilização imensa para conseguir uma vaga. Em determinado momento fui levada com a maca da ambulância para uma sala da emergência. Horas depois consegui um leito na enfermaria porque uma senhora recebeu alta", detalhou Maria Josefa. Na sexta-feira, muitos pacientes ainda não tiveram a mesma sorte da professora. São 575 pessoas com diagnóstico positivo ou com suspeita da doença aguardando por um leito de enfermaria no território paranaense.

Conforme boletim da Secretaria da Saúde, na sexta-feira, 6.107 pessoas estão internadas com suspeita ou confirmação de Covid-19 no Paraná.

Dos 1.980 leitos de UTI do SUS exclusivos para tratamento da Covid-19, 1.879 estão ocupados e 101 livres. Na rede particular, há 458 pacientes internados em UTIs por complicações da doença. Dívida de R$ 35 mil Luciana conta que a ela, o filho Mateus, de 16 anos, e o marido Valdair Renk, de 48 anos, se contaminaram em um período de dez dias. O adolescente, que tem bronquite e estava dentro de casa há um ano por causa da pandemia, foi o primeiro da família a ter sintomas graves.

Uma semana antes do Dia das Mães ele foi levado várias vezes à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Francisco Beltrão, e uma tomografia realizada de forma particular revelou que 75% dos pulmões do garoto estavam comprometidos. “O médico disse que ou internava ele naquele momento ou ele não sobreviveria mais dois dias em casa. Sem vaga pelo SUS, naquele dia tinham 65 pessoas na fila do Hospital Regional, internamos ele em um hospital particular”, lembrou. Com Luciana cumprindo o isolamento em casa, o pai de Mateus, Valdair, ficou com o menino do hospital e acabou sendo infectado pelo novo coronavírus.

Três dias depois dos primeiros sintomas, no domingo do Dia das Mães, a saúde de Valdair piorou e ele foi internado no mesmo hospital onde o filho ficou por cinco dias.

Luciana detalha que no dia que os exames apontaram que os pulmões do marido estavam 75% comprometidos, ele não conseguia mais respirar sem o oxigênio, o médico sugeriu utilizar uma injeção de um medicamento que custava R$ 6 mil a dose.

Com medo que o estado de saúde se agravasse, ela autorizou a aplicação. No outro dia, Valdair reagiu e dois dias depois conseguiu deixar o hospital. “Quando o médico disse ele poderia piorar me desesperei. Pedi que ele fosse transferido para um leito do SUS, mesmo que fosse em outra cidade, em outra região do estado, mas não tinha vaga em nenhum lugar”, afirmou Luciana. Além da dívida, há um mês a família vive apenas com a aposentadoria de Valdair. Luciana precisou sair do emprego para se dedicar ao tratamento pós-Covid do filho e do marido. “Estamos fazendo uma rifa para conseguir pagar uma parte da dívida com o hospital. Também contamos com a ajuda da família e dos amigos para pagar remédios e outras coisas que precisamos”, disse. Recuperação aos poucos A professora Maria Josefa da Silva Tamiozzo, que antes da Covid-19 fazia caminhada diária de 8 quilômetros, agora está de repouso em casa e se cansa ao ir do quarto para a sala.

Mesmo assim, ela agradece pelo carinho e dedicação dos profissionais de saúde que a acompanharam neste período da doença.

"As equipes fizeram de tudo para que eu me recuperasse, para que meu estado de saúde não piorasse. Se a médica do posto de saúde não tivesse me encaminhado para Cianorte, eu teria que ser entubada. Com fé em Deus e em Nossa Senhora não evolui para um caso mais grave. É uma felicidade imensa estar em casa", disse animada. Internações A Secretaria de Saúde do Paraná afirma que, nas condições atuais da pandemia, um leito de UTI consegue atender dois, no máximo três pacientes em um mês.

Em 2020, o tempo médio de permanência em UTIs variava de 10 a 11 dias, hoje, se aproxima de 14 a 15 dias.

Uma das análises realizadas pela Sesa para que isso esteja acontecendo é que a média de idade dos contaminados é cada dia menor. Nesta terça-feira, boletim apontou que média de idade dos casos confirmados do novo coronavírus é de 39,4 anos.

Pessoas mais jovens ficam mais tempo no hospital e isso, conforme os especialistas, faz com que os leitos demorem mais tempo para serem liberados.


Fonte: G1

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