Pandemia acirra disparidades na distribuição de vacinas e leva frustração à ONU


 
 

Nesta segunda Assembleia Geral da ONU sob o signo da pandemia do novo coronavírus, fica evidente a enorme disparidade no acesso à vacinação. O compromisso acordado no ano anterior por líderes mundiais para unificar e tornar mais justa a distribuição de vacinas e tratamentos contra a Covid-19 caiu no vazio.


Nas palavras do secretário-geral, António Guterres, trata-se de uma obscenidade: “Passamos no teste de ciências, mas tiramos um F em ética”, proclamou ele no discurso de abertura, ao constatar que a maioria dos países ricos já está vacinada e avança para a terceira dose, enquanto mais de 90% dos africanos ainda esperam pela primeira dose. O panorama é desolador. De seis bilhões de doses administradas em todo o mundo, apenas 2% foram aplicados em países de baixa renda. A Organização Mundial da Saúde estima que 15% das doações prometidas pelos países ricos foram entregues a populações que têm pouco acesso a meios para combater o vírus. “É injusto e imoral”, denunciou o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, durante a Cúpula Covid-19, evento paralelo à Assembleia Geral da ONU, ao referir-se ao acúmulo de vacinas nas nações desenvolvidas. O presidente dos EUA, Joe Biden, comprometeu-se a doar mais 500 milhões de doses a nações pobres, totalizando 1,1 milhão até setembro de 2022.

O compartilhamento é útil, mas não basta para superar o problema porque não há doses suficientes para todos, atesta Akshaya Kumar, diretora de Crises da Human Rights Watch. “Sem consertar o lado da oferta, ficaremos presos, empurrando esta pedra colina acima apenas para vê-la cair novamente.”

O debate excluiu a transferência de tecnologia e o compartilhamento de propriedade intelectual. Num relatório divulgado nesta quarta-feira, a Anistia Internacional acusou as empresas farmacêuticas responsáveis pelas principais vacinas de recusarem-se a participar em ações para aumentar a oferta global de vacinas. O documento concentra-se em seis fabricantes -- Pfizer, BioNtech, Moderna, AstraZeneca, Novavax e Johnson & Johnson -- que, conforme denuncia a ONG, limitam a produção global de vacinas e obstruem o acesso equitativo. O comportamento dos países ricos é criticado pelo acesso aos fabricantes e pela alta concentração de doses de vacina em detrimento dos menos desenvolvidos. O nível da desigualdade na pandemia de não vacinados tornou-se insustentável.


Fonte: G1

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