Pacientes são transferidos de UPA na Zona Leste de SP por problemas no fornecimento de oxigênio


 
 

Dez pacientes da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste de São Paulo, foram transferidos na madrugada deste sábado (20) por conta de problemas no fornecimento de oxigênio na unidade. Uma fila de ambulâncias se formou na porta da UPA para transportar pacientes com Covid-19 para outros serviços de saúde.


Ao menos 76 municípios do país preveem crise de escassez de oxigênio, segundo levantamento divulgado nesta sexta (19). Para evitar o desabastecimento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso de cilindros industriais para armazenar oxigênio hospitalar.


Seis pacientes com Covid-19 morreram no Rio Grande do Sul por falha no fornecimento do insumo na sexta. Em janeiro, a crise de abastecimento de oxigênio no Amazonas fez dezenas de vítimas e levou à abertura de inquérito contra o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Segundo o secretário municipal da Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, a empresa White Martins atrasou a entrega de oxigênio e, por conta disso, o município “transferiu pacientes por segurança” neste sábado. Ainda segundo o secretário, o fornecimento do insumo já foi normalizado na unidade.

Procurada pelo G1, a White Martins disse que não faltou oxigênio na UPA Ermelino Matarazzo, mesmo com um crescimento exponencial do consumo diário da unidade, que é atualmente 16 vezes maior do que o registrado em dezembro. A empresa disse ainda que as condições estruturais de alguns serviços de saúde "interferem na pressão necessária para alimentar os ventiladores utilizados em pacientes críticos, o que leva à percepção equivocada de que há falta de gás". O consumo de oxigênio nos serviços de saúde da capital aumentou 121% em um mês, de acordo com a prefeitura. O secretário municipal da Saúde disse que a dificuldade no fornecimento do insumo é relacionada à logística e transporte, e que pediu à indústria siderúrgica o empréstimo de cilindros para transportar oxigênio para os hospitais municipais. Consumo de oxigênio em SP Apesar do consumo elevado, a secretaria municipal de Saúde disse que não há falta, e que o problema é fazer o oxigênio chegar aos pacientes.

Antes da disparada dos casos de Covid-19, as UPAs recebiam oxigênio uma vez por semana. Agora, as entregas são feitas três vezes por dia. Com mais consumo, falta até transporte para os cilindros.

“Nós pedimos pra indústria siderúrgica se ele puder nos emprestar cilindros, porque oxigênio tem, no caso, a dificuldade que a gente tem agora é da logística e do transporte”, disse Aparecido.

Nas UPAs, o oxigênio chega em cilindros menores, e o consumo é rápido, porque o número de pacientes internados com Covid-19 está em franca ascensão. Desde o final de fevereiro, o total de internados com a doença em todo o estado bateu recorde todos os dias.

Nesta sexta-feira (19), mais de 27 mil pessoas estavam internadas em serviços públicos ou privados do estado de São Paulo com sintomas do novo coronavírus. O número é mais de 77% superior ao registrado no dia 27 de fevereiro, quando o estado bateu o recorde de internados pela primeira vez. Pelos menos duas cidades da Grande São Paulo se adiantaram para não correr risco de desabastecimento. Embu das Artes abriu uma usina de oxigênio. Já a prefeitura de Franco da Rocha está construindo uma usina ao lado da UPA.

Veja a nota completa da empresa White Martins:

A White Martins informa que não faltou oxigênio para a UPA Ermelino Matarazzo, mesmo com o consumo do produto na unidade tendo aumentado de forma exponencial (16 vezes), saindo de 89 metros cúbicos por dia em dezembro de 2020 para 1.453 metros cúbicos por dia no dia 18 de março. O sistema de abastecimento de oxigênio na unidade funcionou para que o produto continuasse sendo fornecido ininterruptamente, conforme as normas vigentes no país (NBR-12188 da ABNT e RDC 50 da Anvisa). No dia 19 de março de 2021, a UPA consumiu todo o produto do tanque de oxigênio (suprimento primário) e o sistema iniciou automaticamente o uso da central reserva de cilindros (suprimento secundário). Esta central reserva (dotada de duas baterias independentes de cilindros) entrou em operação como estabelece a referida norma. Durante o uso do suprimento secundário, o suprimento primário (tanque) foi abastecido, não ocorrendo falta de produto.

A rede interna de distribuição do oxigênio para uso terapêutico é de responsabilidade dos estabelecimentos assistenciais de saúde, e a White Martins tem alertado exaustivamente seus clientes sobre os riscos envolvidos na transformação de unidades de pronto atendimento em unidades de internação para pacientes com Covid-19 sem um planejamento adequado. Muitas unidades não possuem redes centralizadas com a dimensão adequada para expansão do consumo, agravando demasiadamente a condição de fornecimento de gás para suportar ventiladores, inaladores e outras práticas terapêuticas. Essas condições interferem na pressão necessária para alimentar os ventiladores utilizados em pacientes críticos, o que leva à percepção equivocada de que há falta de gás. Vale reforçar que esta adaptação de unidades de pronto atendimento só deve ser realizada depois de um estudo de viabilidade, a fim de permitir a adequação da infraestrutura, a avaliação da acessibilidade dos veículos de transporte e, consequentemente, a garantia e a confiabilidade para entrega, armazenamento e uso de um produto essencial como o oxigênio.

No caso específico desta UPA, a unidade já foi notificada formalmente sobre a necessidade de informar previamente qualquer incremento de consumo do produto à fornecedora, visando que a mesma pudesse avaliar e adequar seus equipamentos instalados (tanque e cilindros) e malha logística. Até o momento, a White Martins não recebeu nenhum retorno desta unidade sobre a previsão de demanda ou necessidades de acréscimo no consumo de oxigênio mesmo diante do cenário acima narrado.

Fonte: G1

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