Opinião do especialista | Os cuidados com a saúde da criança em período de isolamento social



Publicado pelo Núcleo Ciência Pela Infância (NCPI), o documento "Repercussões da Pandemia de Covid-19 no Desenvolvimento Infantil" analisa como as mudanças abruptas na convivência familiar, impostas pela pandemia, podem atrapalhar o desenvolvimento de crianças na primeira infância (0 a 6 anos). Tais mudanças podem provocar perdas importantes como interações positivas, uma boa alimentação e um ambiente favorável para descobertas.


Composto por pesquisadores de diferentes áreas e organizações, o NCPI destaca que um dos principais impactos da pandemia é a convivência familiar sob tensão, o que pode provocar o chamado "estresse tóxico": quando a criança vivencia adversidades por um longo período sem o suporte de um adulto.


Opinião do especialista


O Portal Saúde Agora perguntou a opinião da médica Dra. Renata Ferreira Pontes Oliveira - especialista na área de PEDIATRIA, sobre os cuidados necessários à saúde das crianças em isolamento social. Confira a opinião da especialista:


Portal Saúde Agora: Quais são os impactos comportamentais e fisiológicos provocados pela pandemia nas crianças?


Dra. Renata Ferreira: A pandemia trouxe mudança na rotina de todos nós, e com o isolamento social as crianças podem apresentar algumas alterações funcionais e até mesmo comportamentais, como, por exemplo, carência dos pais, falta de atenção, ansiedade, medo, alteração na qualidade do sono, às vezes acordando a noite com pesadelo, e alteração também no apetite, muitas vezes fazendo recusa alimentar.


Portal Saúde Agora: O que fazer quando a criança apresenta maior dependência e vontade de sair?


Dra. Renata Ferreira: Não tem sido fácil, por isso muitos pais estão pedindo orientação sobre como ajudar seus filhos, já que estão juntos o tempo todo, gerando uma certa ansiedade para sair de casa. Dependendo da idade da criança, fica mais fácil explicar, mas, geralmente, o ideal é tentar estabelecer uma rotina saudável, com horários para cada atividade rotineira e criar maneiras que possam estimular e, ao mesmo tempo, interagir com eles, como, por exemplo, praticar leitura juntos, jogos dinâmicos, fazer desenhos e colorir, brincadeiras, etc. Importante, também, delegar algumas tarefas domésticas, como organizar seus brinquedos e ajudar no preparo do alimento. Claro que isso vai depender da idade da criança! Tudo deve ser feito pensando no bem estar da família.


Portal Saúde Agora: Como controlar as mudanças alimentares para manter a criança nutrida e saudável na pandemia?


Dra. Renata Ferreira: Em relação a controlar as mudanças alimentares, isso vai depender muito do padrão alimentar da família. O ideal seria manter uma alimentação mais natural possível, com mais acesso a frutas, legumes, verduras, proteínas, evitar os alimentos multiprocessados e os fast food, para evitar ganho calórico excessivo. Bom, estamos passando por uma fase difícil, onde algumas crianças não estão tendo alimento adequado por falta de condição financeira, o que nos deixa tristes com essa situação.


Em relação às questões alimentares das crianças, o Portal Saúde Agora também ouviu o Dr. Kaio Augusto Andrade dos Santos, especialista na área da NUTRIÇÃO. Confira:


Como bem colocado pela Dra. Renata, diversos fatores vão determinar na condução de uma alimentação saudável durante a quarentena. Atrair a atenção dos pequenos para o preparo dos alimentos, além de trazer maior aceitação para uma alimentação de qualidade, ajuda na promoção do bem estar emocional que tanto nos preocupamos durante este período.
Evitar a compra de alimentos ultra processados, dentre os quais: biscoito recheado, refrigerante, macarrão instantâneo e doces, sem dúvida, ajuda na redução do consumo de açúcar, gordura de má qualidade e calorias com baixo teor de nutrientes. Em contrapartida, mantendo alimentos in natura à disposição de forma acessível à criança, facilitamos o consumo adequado de alimentos com alto valor nutricional na rotina.


Portal Saúde Agora: Como lidar com a maior exposição às telas e interrupções de sono nas crianças?


Dra. Renata Ferreira: Em relação ao tempo de tela, tem sido bem falado com os pais sobre esse tema. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças menores de 2 anos não tenham exposição a telas. Entre 2 a 5 anos, 1 hora por dia, e a partir de 5 anos, no máximo 2 horas por dia.


Mamães e papais, nesse período de pandemia é uma oportunidade que temos para estimular nossas crianças a pensarem sobre o que elas estão sentindo e saber como reagir a situações diferentes e desafiadoras, evitando, assim, danos futuros.


Nós, Pediatras, queremos o melhor para nossas crianças!


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