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O que é a mentalidade de turba, que tenta explicar atos violentos



No último domingo (8/1), o Brasil acompanhou uma manifestação antidemocrática se tornar uma verdadeira destruição do patrimônio na Esplanada dos Ministérios. Prédios públicos foram depredados, assim como obras de arte e mobiliários históricos, por terroristas que há semanas deixaram suas casas e famílias para acampar em frente a quartéis.


De acordo com especialistas, o fenômeno pode ser explicado por um conceito chamado mentalidade de turba, ou mob mentality. O efeito acontece quando pessoas se identificam com um grupo e, juntos, se unem para fazer algo que não teriam coragem de realizar sozinhos.


“Individualmente, ninguém sequer teria coragem de subir a rampa do Congresso Nacional. Ao meu ver, é um ato de total insanidade”, explica a psicóloga Soraya Oliveira, do Instituto de Neurologia de Goiânia. “É preocupante a falta de saúde mental dessas pessoas que atacaram Planalto, Congresso e Supremo Tribunal Federal (STF) sem medo das consequências”, completa a especialista.


A mentalidade de turba não é considerada uma doença mental mas, nesse caso, parece ter evoluído a partir de uma grande frustração de ter perdido as eleições e não saber lidar com a emoção. “A forma como o ex-presidente os abandonou e foi para os Estados Unidos, as reuniões na frente dos quartéis, tudo alimentou o sentimento de ódio dentro de cada um ali”, analisa a psicóloga.


De acordo com Soraya, o fenômeno é mais comum dentro das redes sociais, onde os algoritmos filtram pessoas com os mesmos ideais e contribuem para que elas se organizem em grupos, sejam de direita ou de esquerda.


As diferenças de pensamento político sempre existiram, mas a criação de bolhas na internet, povoadas por indivíduos que pensam igual, acaba exacerbando o problema — um exemplo do quão exagerada é a situação é que muitas famílias e amizades de anos foram desfeitas nos últimos anos.


Soraya classifica a falta de saúde mental dos bolsonaristas que atacaram Brasília no domingo como um quadro emocional grave, que afetou inclusive os indivíduos que assistiam a situação pela televisão. “O ataque dessas pessoas tóxicas gerou insegurança, dúvida e medo nas pessoas que estavam em casa naquela tarde”, lamenta.


Ela sugere que indivíduos que não conseguem lidar com a frustração e a raiva por terem perdido a disputa eleitoral procurem um psicólogo para aprender a viver com a emoção de forma saudável.


Fonte: Metrópoles

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