Novo método de modelagem corporal destrói a gordura com a aplicação injetável de microcristais de ge

A modelagem corporal pela remoção da gordura não invasiva pode se tornar um procedimento estético ainda mais comum do que já é, graças a uma técnica experimental que aplica microcristais de gelo injetáveis na gordura subcutânea.

Pesquisadores do Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, disseram ter obtido resultados promissores de estudos feitos com modelos suínos utilizando uma mistura biocompatível de gelo, soro fisiológico e glicol injetado nos locais de deposição do tecido adiposo para a remoção da gordura.

Os pesquisadores informaram a redução gradual da espessura da gordura de até 54,5% (± 5,9%) nos locais onde foi injetada a mistura em comparação com 2,6% (± 0,9%) nos locais de controle onde foram injetados microcristais derretidos (P < 0,001). Além disso, observaram um efeito de resposta proporcional à dose, com a perda de gordura estando correlacionada ao volume total de gelo injetado. Não ocorreu formação de tecido cicatricial ou lesão nos tecidos adjacentes.

A pesquisa foi publicada on-line em 07 de janeiro no periódico Plastic and Reconstructive Surgery.

“Nossos dados mostram que os microcristais de gelo são seguros, seletivos para o tecido adiposo e promovem a perda duradoura ou permanente deste tecido, e a quantidade da perda se correlaciona ao total do volume de microcristais de gelo”, escreveram a Dra. Lilit Garibyan, Ph.D., médica dermatologista no hospital do Wellman Center for Photomedicine e professora assistente de dermatologia na Harvard Medical School, e colaboradores.

“A injeção de microcristais de gelo pode ser feita no consultório, com ou sem anestesia local, e leva alguns segundos para ser aplicada. O efeito também parece ser duradouro ou permanente.”

Antes, os pesquisadores tinham criado o método de resfriamento tópico de redução de gordura com o nome de marca CoolSculpting, procedimento que leva quase uma hora para ser feito no consultório.

Relação entre dose e resposta

Os pesquisadores injetaram soluções variadas de microcristais de gelo de 15 mL ou 30 mL, com 20% ou 40% de cristais de gelo, na gordura subcutânea de fêmeas suínas com três a seis meses de idade, pesando de 52 kg a 85 kg. Os animais do grupo de controle receberam injeções de microcristais derretidos.

As fêmeas foram avaliadas antes da injeção e monitoradas periodicamente por ultrassonografia durante até oito semanas. As injeções não produziram efeitos colaterais sistêmicos ou alterações bioquímicas no sangue, como da função hepática e do perfil lipídico, no 3º dia e na 2ª, 4ª e 8ª semanas.

A maior perda de gordura – de quase 55% – foi vista no grupo que recebeu 30 mL de microcristais com 40% de gelo. Nos outros grupos tratados com 15 mL de microcristais com 40% de gelo ou 30 mL de microcristais com 20% de gelo, a redução da espessura da gordura foi menor: 25,3% em comparação com 16,7% (P < 0,05 e P < 0,001, respectivamente).

Microcristais com 20% e 40% de gelo atingiram temperaturas médias de – 3,5 °C e – 4,8 °C, respectivamente. Os volumes correspondentes de perda de gordura nos três grupos de tratamento foram 2,6 cm3, 1,0 cm3 e 0,7 cm3.

“Estes estudos de “dose-resposta” destacam a importância do volume total de gelo para o efeito biológico dos microcristais, em vez do volume dos próprios microcristais”, escreveram os autores. “O volume de gelo injetado é o principal determinante da quantidade de perda do tecido adiposo.”

A Dra. Lilit disse ao Medscape que as pessoas que recebem os microcristais inicialmente podem sentir bastante frio com a queda da temperatura subcutânea, “mas na temperatura de cerca de 4 °C positivos os nervos param de disparar”. O resfriamento também pode ter um efeito metabólico colateral, acrescentou a Dra. Lilit, no sentido que alguns estudos demonstraram que o resfriamento pode converter a gordura branca em gordura marrom, aumentando assim o gasto energético.

De acordo com os pesquisadores, a injeção de microcristais de gelo tem o potencial de se tornar uma modalidade “transformadora e minimamente invasiva de remoção de gordura para o modelamento do corpo”. O procedimento tem a capacidade de atingir qualquer volume de tecido adiposo em qualquer localização anatômica.

Ensaios clínicos com humanos devem começar em breve, disse Dra. Lilit.

Novos estudos com humanos são claramente necessários, destacou o Dr. Peter Henderson, médico e professor assistente de cirurgia plástica na Icahn School of Medicine at Mount Sinai, nos EUA.

“Mas existe uma grande probabilidade de que o mesmo efeito observado nos suínos seja visto nos humanos. E, se isso for verdade, esta técnica tem o potencial de mudar drasticamente o modo como o excesso de gordura indesejada é tratado em todo o corpo.”

Contudo, o Dr. Peter indicou várias questões, como a longevidade dos efeitos do tratamento e a aparência da gordura e da pele sobrejacente, à medida que a gordura adjacente aumenta ou diminui com o envelhecimento e com as flutuações normais do peso.

Outra questão é o quão precisa será a localização e a extensão da redução de gordura. “Uma coisa é diminuir a gordura em geral, mas especialmente em partes mais delicadas do corpo, como a face e o pescoço, o ideal seria que a quantidade de gordura removida fosse mais específica, dado que tanto o excesso como a irregularidade da remoção da gordura podem levar a um resultado insatisfatório”, disse Dr. Peter, que não participou da pesquisa.

A médica especialista em tratamento da obesidade Dra. Fatima Cody Stanford, também do Massachusetts General, mas que não participou do estudo, fez um alerta: “Este estudo foi feito com porcos, portanto, temos de ser um pouco cautelosos ao interpretar a conclusão que este procedimento provavelmente promoverá perda de gordura prolongada em humanos”, disse a médica ao Medscape.

“E, com os procedimentos estéticos, não costumamos ver os resultados se mantendo em longo prazo com nada que afirme remover tecido adiposo. A gordura tem memória, sabe onde estava, portanto, você pode tirá-la hoje, mas ela sabe que estava lá e pode voltar a ocupar o mesmo lugar – e algumas vezes ocupar até mesmo regiões onde não havia se depositado antes”.

Além disso, disse a Dra. Fatima, dada a complexidade multifatorial da obesogênese e da regulação da gordura no corpo humano, especialmente no atual ambiente obesogênico dos Estados Unidos, é improvável que ocorram alterações significativas em longo prazo com este procedimento.

“Não me parece que seja o Santo Graal.”

Fonte: Medscape

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