Nova atualização das diretrizes clínicas para o tratamento do transtorno do déficit de atenção

Na atualização das diretrizes clínicas para o tratamento do transtorno do déficit de atenção e/ou hiperatividade (TDAH), a American Academy of Pediatrics (AAP) reforça a necessidade de um trabalho em equipe contínuo com médicos e profissionais da saúde mental, bem como parentes e funcionários das escolas.

As recomendações também destacam a importância de identificar as comorbidades, como a depressão e os distúrbios de aprendizagem.

As diretrizes, elaboradas por Dr. Mark L. Wolraich, médico da American Academy of Pediatrics (AAP), nos Estados Unidos, e colaboradores do AAP’s Subcommittee on Children and Adolescents with ADHD , foram publicadas on-line em 30 de setembro no periódico Pediatrics.

Esta é a segunda revisão das diretrizes clínicas cuja primeira versão foi publicada em 2001 e que havia sido atualizada pela última vez em 2011.

Dr. Mark e colaboradores atualizaram o algoritmo do processo de atendimento que acompanha as diretrizes com medidas específicas para os médicos implementarem as orientações. Estas medidas não se destinam a ser implementadas em uma consulta no consultório.

“A avaliação, o tratamento e o acompanhamento dos protocolos em andamento são abordados em todo o atendimento da criança e do adolescente e no planejamento da transição que o adolescente faz para se integrar ao sistema de atendimento de adultos”, escreveram os autores.

Os autores das diretrizes observam, contudo, que as pesquisas publicadas relacionadas com o TDAH não respaldam mudanças drásticas das recomendações anteriores.

“Portanto, essa nova orientação contempla somente atualizações que agregam às diretrizes anteriores.”

Foco no esclarecimento para os pais de crianças pequenas

Uma das mudanças mais importantes está relacionada com a nova revisão da literatura médica e comportamental relevante, explicou Dr. Joseph F. Hagan Jr, médico, coautor das diretrizes e vice-presidente do AAP Subcommittee on Children and Adolescents with ADHD.

“Estávamos especialmente interessados em dados publicados que trouxessem evidências para embasar as nossas recomendações. De acordo com a política da AAP, há evidências marcantes para as principais declarações de ação das orientações em tela”, disse Dr. Joseph ao Medscape.

As diretrizes atualizam a seção sobre tratamento comportamental e médico. Os tratamentos indicados para o TDAH permanecem em grande parte inalterados; os autores reforçam a necessidade do acompanhamento médico regular e da coordenação com os funcionários da escola e outras pessoas da comunidade.

Uma declaração essencial para a ação recomenda que, para crianças entre quatro e cinco anos de idade, o tratamento de primeira linha seja a orientação dos pais – baseada em evidências – em relação a como lidar com o comportamento e/ou às intervenções comportamentais em sala de aula.

“Também podem ser usados medicamentos, mas o foco em orientar os pais sobre como lidar com o comportamento agora é destacado como tratamento de primeira linha”, disse Dr. Joseph.

A pesquisa indica que existe algum benefício em oferecer orientação semelhante aos pais e professores sobre como lidar com o comportamento dos alunos com TDAH.

Os critérios diagnósticos da 5a edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais(DSM-5, do inglês Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition) da American Psychiatric Association (APA) permanecem basicamente inalterados em relação aos da 4ª edição do mesmo manual, exceto que o DSM-5 aumentou a idade necessária para o momento do início dos sintomas de antes dos sete anos de idade para menores de 12 anos de idade.

Pacientes com 17 anos ou mais precisam ter menos problemas comportamentais pelo DSM-5 do que os pacientes mais jovens para serem diagnosticados com TDAH. Alguns sinais, como a hiperatividade, podem atenuar à medida que as crianças amadurecem.

A maioria das crianças com TDAH satisfaz os critérios diagnósticos de pelo menos um outro transtorno mental, escreveram os autores. As diretrizes atualizadas contêm uma nova declaração essencial para a ação que recomenda que os médicos “incluam pelo menos um processo de triagem de comorbidades, contemplando doenças emocionais ou comportamentais (p. ex.: ansiedade, depressão, transtorno desafiador e de oposição, alterações da conduta e transtornos do uso de substâncias químicas), doenças do desenvolvimento (p. ex.: distúrbios de linguagem e aprendizagem, transtorno do espectro autista) e doenças clínicas (p. ex.: tiques ou apneia do sono)”.

Os médicos devem lembrar que o TDAH é um transtorno crônico e devem seguir “os princípios dos modelos do tratamento domiciliar das doenças crônicas”. Estes modelos serão particularmente úteis para os pais que também têm TDAH, explicaram os autores.

Outras recomendações

As diretrizes fornecem recomendações para exclusão de outras possíveis causas dos sinais e sintomas do paciente e para a identificação de comorbidades, como depressão, ansiedade, uso de substâncias químicas, autismo e trauma.

“Sabemos que uma criança com diagnóstico de TDAH obterá mais benefícios quando houver parceria entre sua família, seus médicos e seus professores, que podem precisar adotar estratégias especiais de ensino e de apoio”, disse Dr. Joseph em um comunicado de imprensa da AAP.

“Treinadores, instrutores pedagógicos e de outras pessoas que desempenham algum papel importante na vida de uma criança têm muito a contribuir fornecendo informações e trabalhando para descobrir soluções.”

“Embora saibamos que o TDAH pode ser difícil e frustrante para as famílias, as crianças diagnosticadas mais cedo e que fazem o tratamento adequado podem aprender a lidar com seus sinais e sintomas e serem bem-sucedidas”, disse Dr. Mark no comunicado. “Com o auxílio de adultos acolhedores, que se importam com e cuidam das crianças, este é um esforço de equipe que compensa em longo prazo.”

Fonte: Medscape

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