‘Nosso silêncio foi o que mais irritou’, diz enfermeira sobre agressão

Enfermeiras que participaram do ato simbólico em homenagem às vítimas da Covid-19 no Dia do Trabalhador comentaram, em live no domingo (3/5), sobre as agressões sofridas por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PSL). As cinco enfermeiras participantes explicaram que o movimento não tinha teor político e que que não esperavam pelo confronto. 

A transmissão ao vivo foi realizado pelo canal Resistência Feminina no Facebook e durou cerca de uma hora. Cada participante falou sobre os sentimento vividos no dia. De acordo com a organizadora do ato, Ana Catarine Rocha, o motivo da manifestação era homenagear os profissionais de saúde que morreram vítimas de Covid-19 e quem está lutando pela vida das pessoas, na linha de frente.

“Assim que chegamos, começamos a sofrer agressões verbais. Não sei como eles interpretaram que era um movimento político, pois ficamos ali em silêncio e não reagimos a nenhuma provocação”, disse. “Nosso silêncio foi o que mais irritou e os deixou mais exaltados”, acrescenta.

No momento em que a enfermeira viu os manifestantes se aproximaram da colega de profissão para ofendê-la, Ana Catarine foi para a frente dela, mas permaneceu em silêncio. “Não foi porque eu travei ou porque eu não sabia reagir. Foi porque mantive a calma e porque sabia que partir para agressão física seria me igualar ao nível deles, seria a gente diminuir o ato e resumir tudo a uma briga”, explicou a enfermeira. Ela contou que o homem contra a manifestação chegou a esbarrar na cabeça dela. “Mas uma coisa que mais assustou e que não apareceu nas câmeras foram os olhares agressivos e cheios de raiva”, relatou. 

A enfermeira que Ana Catarine defendeu também deixou o relato durante a live. “Não foi fácil, fiquei muito assustada, tive muito medo. Foi muito difícil ficar quieta com as atrocidades que aquele homem e aquela mulher diziam para mim”, declarou Bárbara. Para a carioca, o fato de ela estar filmando a abordagem foi um dos motivos para ela ter sido o foco das agressões. “Não sei o que aconteceu, mas eles vieram para cima de mim. Foi difícil manter a calma”, relembra. Para a profissional, porém, o ato fortaleceu a busca pela valorização da profissão.

A enfermeira Marcela Vilarim foi surpreendida pela hostilidade dos apoiadores do presidente. “Quando chegamos à praça eu achei que o pessoal que estava lá não iria mexer com a gente, que teriam respeito por sermos da área da saúde e porque não estávamos levantando nenhuma bandeira política”, conta. “Sofremos violência do início ao fim, mas a física aconteceu apenas naquele momento que ficou registrado na mídia. Uma das manifestantes foi quem chamou a polícia e só a partir disso que conseguimos fazer com que o pessoal se afastasse”, relembra.

Fonte: Correio Braziliense

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