No RJ, apenas um a cada cinco estudantes de medicina são negros

Levantamento feito pela plataforma Quero Bolsa mostra que o estado está abaixo da média nacional

A proporção dos autodeclarados negros no ensino superior aumenta a cada ano, mas, em alguns cursos, a participação ainda é limitada. No estado do Rio de Janeiro, o curso de Medicina tem a menor proporção de negros no ensino superior presencial, com apenas 20,51% dos alunos.

O dado foi apurado pelo Quero Bolsa, principal plataforma de inclusão no ensino superior com bolsas de estudo, ao analisar as informações da edição 2018 do Censo da Educação do Ensino Superior do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).

A taxa de inclusão de negros é inferior à média geral de cursos no estado, 32,3%, e da média nacional de Medicina, que é de 24,64%.

“O curso de medicina demanda um alto investimento para estudar nas universidades privadas. As mensalidades superam facilmente R$ 8 mil. Mesmo bolsistas têm dificuldade para se manter exclusivamente estudando durante 6 anos ou mais, tempo de formação de um médico. Nas universidades públicas, apesar de não haver a mensalidade, o custo para se manter é o mesmo e a concorrência ainda mais elevada para conquistar a vaga”, explica Lucas Gomes, diretor de ensino superior da plataforma Quero Bolsa. “Como, segundo o IBGE, pretos e pardos têm, em média, renda 75% menor do que brancos, as políticas de inclusão têm efeito limitado”.

Já Enfermagem, também da área da saúde, é o curso com maior proporção de negros no ensino superior fluminense, com 42,7%. A média nacional para o curso é de 42%.

Presença do negro no ensino superior no RJ aumentou na última década

Entre 2010 e 2018, a presença do negro passou de 39 mil para 239 mil estudantes em instituições de ensino superior no estado, com alta de 491%. Eles representavam 6,8% dos alunos, no início da década e agora são 32,3% (pretos representam 9,9% do total enquanto pardos são 22,4%). No país, os negros são 35,8% dos universitários.

O salto ocorrido entre 2013 e 2016 deve-se à implantação da lei de cotas, realizada de forma progressiva no período. Em 2013, a proporção de Negros era de 9,4 % e chegou a 26,7% em 2016.

Entretanto, a taxa ainda é bem menor do que a proporção de negros na sociedade que, de acordo com dados do IBGE, é de 51,7% no estado do Rio de Janeiro (39,6% de Pardos e 12,1% de Pretos).

Os 5 cursos presenciais com menor inclusão de negros no RJ

Além de Medicina, completam a lista dos 5 cursos com menor inclusão de negros no ensino superior Direito (29,4%), Engenharia de Produção (29,7%), Psicologia (30,3%) e Arquitetura e Urbanismo (31%).

Os 5 cursos presenciais com maior inclusão de negros no RJ

Na contra-mão, a lista dos 5 cursos mais inclusivos é composta por Enfermagem (42,7%), Fisioterapia (39,4%), Educação Física (37,7%), Pedagogia (37,3%) e Contabilidade (36,7%).

Os 5 cursos a distância com menor inclusão de negros em RJ

Falando em cursos a distância, a lista dos 5 cursos menos inclusivos é composta por Ensino Profissionalizante em Área Específica em Formação de Professor (6,34%), Formação de Professor em Geografia (19,13%), Formação de Professores em Biologia (19,15%), Administração Pública (21,5%) e Formação de Professores em Matemática (24,1%).

Os 5 cursos a distância com maior inclusão de negros no RJ

Na contra-mão, a lista dos cursos à distância mais inclusivos é composta por Turismo (80,1%), Engenharia de Produção (44,5%), Logística (41,5%), Teologia (41%), e Educação Física (38,9%).

Fonte: Diário de Petrópolis

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