Nelson Teich assume Saúde e diz que foco da pasta será nas pessoas

O novo ministro da Saúde, Nelson Teich, tomou posse nesta sexta (17), em uma cerimônia lotada, no Palácio do Planalto. Ele disse que o foco da pasta será nas pessoas, mas em nenhum momento falou sobre a política de isolamento social.

O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta discursou primeiro. Desejou sorte ao substituto e falou das dificuldades no combate ao coronavírus.

“Num cenário aonde não há mercado. Eu sempre disse para os senhores que colapso é quando a gente tem o dinheiro, tem a ordem judicial, tem a carteirinha do plano de saúde, tem tudo, tem até a doença, e simplesmente não há o sistema. Isso o mundo experimentou por ter feito uma opção de concentrar todas as compras com a China, 94% desses insumos, e a Índia com a matéria-prima, com mais de 90%”, disse o ex-ministro.

Devidamente empossado pelo presidente, Nelson Teich agradeceu a oportunidade de servir o país num momento tão difícil e disse que o cargo de ministro da Saúde é o maior desafio da vida dele.

“Hoje eu recebo, certamente, o maior desafio da minha vida profissional. Isso é inegável. Ter a oportunidade de compor o governo federal num momento tão difícil como esse para a sociedade, para o mundo, e ter oportunidade de ajudar as pessoas desse país, isso é uma oportunidade única. Então eu agradeço muito a oportunidade de ter sido colocado nessa posição nesse momento”, disse o novo ministro.

Oncologista, destacou que sua formação profissional foi no cuidado de pessoas.

“Vivi durante muito tempo a interação médica como clínico, como oncologista principalmente, você convive muito. As pessoas são muito próximas de você, as pessoas que você cuida numa cidade pequena, num paciente que tem câncer, que é uma doença bem difícil de conviver com. E isso é coisa que moldou o meu lado humano e hoje eu tenho o foco, eu tenho colocado isso, o foco que a gente tem aqui, em tudo que a gente vai fazer, é nas pessoas. Por mais que você fale em saúde, por mais que você fale em economia, não importa o que você fala, o final é sempre gente”.

Nelson Teich não deixou claro como vai tratar o isolamento social, medida recomendada por autoridades de saúde do mundo inteiro e que vem sendo duramente criticada por Bolsonaro desde o início da pandemia. No discurso, o novo ministro da Saúde não usou os termos isolamento, distanciamento, flexibilização, nem reabertura de comércio.

Teich disse que vai buscar integração com outros ministérios e, como quinta-feira (16), disse que é preciso ter informação para tomar decisão.

“Outra coisa que eu tenho colocado é a importância da informação. Uma das características dessa doença que a gente vive hoje, que é a Covid-19, é a pobreza de informação sobre a doença, sobre a evolução dela, sobre possíveis tratamentos, e isso aí leva a um nível de ansiedade e medo que é enorme. A gente vive não só um problema clínico que é de cuidar da doença, mas é de administrar todo o comportamento de uma sociedade que, hoje, está com muito medo. Você anda nas ruas, quando eu vim para cá, em vim do Rio de Janeiro, a gente passando pelo Santos Dumont tudo deserto, todo mundo com máscara, é uma coisa que parece filme. Então essa é a realidade que a gente está vivendo hoje, isso leva a muito medo. E a gente vai ter que trabalhar isso também trazendo confiança de que a gente vai levar para as pessoas, através da informação, do conhecimento, do planejamento, o começo da construção de uma solução”, afirmou

O novo ministro afirmou que pretende trabalhar com os estados e municípios para conhecer de perto a situação do país, e que sabe da importância do trabalho em equipe.

“Uma coisa que é fundamental, que ao longo da minha vida fui médico, tive, hoje em dia eu não atendo mais, mas até tive uma empresa da área, e uma coisa que eu percebia na empresa era a necessidade de você também formar times. Que é de você trazer as pessoas certas para os problemas certos. E você dar para essas pessoas a condição de trabalhar”, observou

O presidente Jair Bolsonaro repetiu que demitiu Mandetta porque o ex-ministro tinha uma visão diferente da dele sobre o enfrentamento da doença. E, mais uma vez, defendeu o fim do isolamento social.

“Desde o começo eu tinha uma visão, e ainda tenho, que nós devemos abrir o emprego, porque o efeito colateral do combate ao vírus não pode ser, no meu ponto de vista, mais danoso que o próprio remédio. Essa briga de começar a abrir para o comércio, é o risco que eu corro, porque se agravar vem para o meu colo. Agora, o que eu acredito que muita gente já está tendo consciência é que tem que abrir”, disse o presidente.

Além da circulação nas cidades, Bolsonaro defendeu a reabertura das fronteiras do Brasil. Segundo ele, começando pelas do Paraguai e do Uruguai. Sem citar exemplos, voltou a criticar governadores e prefeitos.

“Pena que eu não posso intervir em muita coisa, porque o Supremo decidiu que as medidas restritivas que têm que ser respeitadas são aquelas de prefeitos e governadores. Mas vamos seguir o destino e obviamente todos nós, em especial, o Mandetta aqui, torcemos pelo seu sucesso, porque seu sucesso poupa vidas, poupa pessoas que possa ser jogado ao desemprego, até deixo bem claro aqui também economia, e poderá, ao nosso entender, buscar uma alternativa para isso. Junte eu e o Mandetta e divida por dois, pode ter certeza que você vai chegar naquilo que interessa para todos nós. Nós não queremos vencer a pandemia e daí chamar o doutor Paulo Guedes para solucionar a questão das consequências de um povo sem salário, sem dinheiro e quase sem perspectiva em função de uma economia que a gente vê que está sofrendo sérios reverses”, disse.

Fonte: G1

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