Número de idosos que tomaram segunda dose de vacina é baixo, dizem especialistas


 
 

Especialistas consideram ainda muito baixo o número de idosos que tomaram a segunda dose de vacina.


É um misto de alívio e emoção. Mas o que parece o fim de um longo pesadelo é, na verdade, o começo de uma nova etapa.

Tanto a CoronaVac, que representa 80% das vacinas usadas no país, quanto a Oxford/AstraZeneca, as únicas vacinas disponíveis hoje no Brasil, devem ser aplicadas em duas doses.

A primeira dose ensina o nosso sistema de defesa a reagir contra o coronavírus. A segunda estimula o corpo a produzir um número ainda maior de anticorpos.

A epidemiologista Carla Domingues, que coordenou o Programa Nacional de Imunizações por oito anos, diz que é fundamental seguir à risca o esquema de vacinação.

“Os estudos realizados para as vacinas da Covid mostraram que elas precisam ter duas doses para que a pessoa tenha a proteção, a criação de anticorpos num nível suficiente para proteger contra a doença. A vacina da CoronaVac num intervalo de 28 dias e a vacina da AstraZeneca no intervalo de até três meses”.

Mas tem muita gente que tomou a primeira dose que ainda não apareceu para tomar a segunda da vacina contra a Covid. Um estudo feito por pesquisadores da USP e da UFRJ revela que o Brasil está com uma cobertura vacinal baixa entre os idosos. Em todo o Brasil, entre os que têm mais de 80 anos, só 33% tomaram a segunda dose da vacina. Isso quase três meses depois que a imunização começou no país.

“É uma população relativamente pequena de 4,5 milhões de habitantes. As regiões do país alcançaram com a primeira dose uma cobertura de cerca de 80%, ou seja, ainda aquém daquela que a gente gostaria aqui. No nosso ponto de vista deveria ser acima de 90%”, disse Guilherme Werneck, médico e professor de epidemiologia da Uerj e da UFRJ.

O estado que menos aplicou a segunda dose nessa faixa etária foi o Amazonas, com um percentual de 5%. Já Roraima imunizou 75% desse público com as duas doses.

A prefeitura de Manaus disse que está aplicando vacinas em outras faixas etárias enquanto os mais velhos não procuram a segunda dose.

“A gente vai elencando outros grupos para vacinar enquanto essas pessoas estão procurando lentamente o serviço”, disse Isabel Hernandes, chefe da Divisão de Imunização da Secretaria de Saúde de Manaus.

Em São Paulo, a prefeitura diz que 57 mil pessoas que tomaram a primeira dose não apareceram para receber a segunda. O número representa pouco menos de 5% do total de 1,5 milhão de vacinados com a primeira dose.

Quando percebem que a segunda dose está atrasada, os agentes de saúde entram em contato com os idosos para lembrar que é preciso retornar o quanto antes.

“A maior parte dos casos é de idosos que vivem sozinhos e, por conta de algum problema de saúde, acaba não comparecendo. Aí é fundamental que a gente procure essa pessoa e consiga aplicar a segunda dose”, explicou Edson Aparecido, secretário municipal de Saúde de São Paulo.

Dona Francisca tomou a primeira dose no dia 4. Deveria ter retornado no dia 1º., mas só tomou a segunda dose nesta quinta-feira (8), uma semana depois. Mas há também casos como o da dona Rosalina, de 96 anos, que não pode sair de casa para se imunizar. O filho Renato Ferreira conta que já procurou diversas vezes a prefeitura, mas não conseguiu vacinar a mãe.

“Os filhos já começaram a ser vacinados e, de repente, no caso, como está a vacinação? Vai passar a ser para os netos porque ela já tem neto com 50 anos”, disse.

O percentual de imunizados com a primeira dose também está longe do ideal em outro público: o de 70 a 79 anos. A média nacional é de 66%. O estado que tem o pior índice é o Rio de Janeiro, onde só 51% da população nessa faixa etária se vacinaram. Quem está melhor é a Paraíba que atendeu 87% do público dessa idade com a primeira dose.

“As doses, além de insuficientes, estão pulverizadas. Não se conclui uma etapa da vacinação para passar para outra. Isso protege individualmente cada um que toma vacina, mas não garante a proteção coletiva da população. Isso dificulta qualquer previsão de retorno à normalidade em 2021”, afirmou Mário Scheffer, professor de medicina da USP.

Dona Rosalina foi vacinada na tarde desta quinta, duas horas depois de o Jornal Nacional perguntar à prefeitura o porquê de ela ainda não ter recebido a vacina.

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas declarou que aguarda o Ministério da Saúde enviar vacinas para a segunda dose dos idosos de 80 anos ou mais e que essa parcela da população foi vacinada na primeira fase da campanha com a AstraZeneca, que tem um intervalo de três meses de aplicação entre as doses.


Fonte: G1

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