Mutirão no SUS atende pacientes que esperavam por bariátrica


 
 

Uma das consequências de dois anos de pandemia é o atraso na realização de procedimentos eletivos, como as cirurgias bariátricas. De 2020 para cá, o número de operações desse tipo feitas pelo SUS caiu 82% — já as cirurgias feitas por planos de saúde quase não tiveram queda. O Ministério da Saúde diz que a Covid-19 comprometeu o funcionamento de vários serviços públicos. Esta semana, quatro estados brasileiros realizaram um mutirão para marcar a importância do combate aos problemas da obesidade — que afetam, e muito, a saúde. “Existe um estudo científico que mostra que o Brasil foi o país que mais engordou nessa pandemia. Nós estamos diante de uma doença que é fator de risco para inúmeras outras doenças”, diz Fábio Viegas, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica. A bariátrica é uma opção para quem ultrapassou o IMC recomendado, o índice de massa corporal. Indicada, segundo Viegas, para “pacientes que têm um IMC acima de 40 ou aqueles que tenham IMC acima de 35 e que possuem doença associada”.

“A partir de 2017, o Conselho Federal de Medicina aprovou a cirurgia metabólica, que é a cirurgia bariátrica aplicada em pacientes que tenham um IMC acima de 30. Diabéticos podem operar”, explica ele. 'Faltava ar' Gabriel Honório foi uma das pessoas atendidas no mutirão. Aos 25 anos, ele já é hipertenso e pré-diabético. “Quando minha filha nasceu, eu tinha 140 quilos. Percebi que para levantar a menina, faltava o ar... Você pisa no freio e fala: ‘Preciso rever algumas coisas, senão não vou conseguir vê-la crescer”, conta o vendedor. Zózimo, de 37 anos, também passou pela bariátrica no mutirão. Ele chegou a pesar 145 quilos. “Eu estava começando a ter um monte de outros problemas associados. Com dificuldade de dormir, e não conseguia andar uma distância razoável”. Gabriel e Zózimo ainda têm um longo caminho pela frente, mas já descobriram muita coisa mesmo antes da cirurgia, quando estavam sendo acompanhados por vários profissionais. “Vou colocar o garfo em cima da mesa e mastigar 30 vezes antes de engolir. Dá uma diferença, você come meio prato e está satisfeito”, conta Gabriel, que tem muitos planos. “Vou para praia e tirar foto sem camisa. Vou sentar em brinquedos que não cabia, sentar em cadeira de plástico”. Como é feita a bariátrica Na cirurgia, é usado um “grampeador” para diminuir o tamanho do estômago do paciente. O cirurgião Vicente Berti resume o procedimento: “É como se fosse uma grande máquina de corte e costura. Diminui o tamanho do estômago para que coma menos e possa emagrecer. Para enganar o cérebro”. Tudo isso é feito usando a videolaparoscopia. Desta forma, para chegar até o estômago os médicos fazem cortes de meio centímetro. Quando a cirurgia não é feita assim, o abdômen do paciente precisa ser aberto. “O que é péssimo. O tempo de recuperação é maior e o paciente tem um índice de complicação muito maior, o que acaba aumentando, onerando mais o SUS”, afirma Fábio Viegas, “A videolaparoscopia é um avanço. Mas, infelizmente, no SUS não é aplicado para todos”.

Só 7% das cirurgias do SUS são feitas por videolaparoscopia, enquanto que nos planos de saúde todas são por esse método. O Ministério da Saúde diz que as secretarias municipais e estaduais têm autonomia para decidir qual procedimento usar.

Para fazer tudo por videolaparoscopia no mutirão, empresários doaram materiais para os hospitais.


Fonte: G1

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