Monitores de atividade funcionam melhor com o auxílio de profissionais de saúde

Há alguns anos dispositivos de monitoramento de movimento têm sido apresentados como “treinadores portáteis”, incentivando as pessoas comuns a caminhar mais e mais rápido a cada dia. E as evidências têm se acumulado sobre o uso dos rastreadores da atividade para modificar comportamentos de estilo de vida e ajudar os pacientes com doenças crônicas cardiometabólicas e respiratórias.

Agora uma grande revisão sistemática descobre que os acelerômetros e podômetros estão relacionados com pequenas e médias melhoras em curto prazo da prática de atividades físicas nos pacientes com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular (DCV) – especialmente quando associadas a uma interação solidária com facilitadores. A revisão publicada on-line em 09 de outubro no periódico JAMA Network Open, constatou que estes dispositivos podem aumentar os níveis de atividade física em quase 1.703 passos por dia, para uma diferença média padronizada (DMP) de 0,52, enquanto melhora os níveis de atividade de moderados para vigorosos para uma DMP de 0,22.

No entanto, a atividade física nesse grupo de pacientes continua abaixo das metas clínicas recomendadas, informaram o Dr. Alexander Hodkinson, Ph.D., da School for Primary Care Research do National Institute for Health, no Manchester Academic Health Science Centre da University of Manchester, na Inglaterra, e colaboradores. Os pesquisadores destacam que uma abordagem mais complexa incorporando uma interface com profissionais de saúde é a chave para aumentar os níveis de atividade dos usuários, enquanto as simples intervenções automonitoradas com podômetros ou acelerômetros não estão associadas a melhora do desempenho.

“Nossa principal descoberta foi que as intervenções nas quais o uso de podômetros e acelerômetros foi associado a consultas regulares com os profissionais de saúde – mesmo rápidas ou por telefone, internet ou aplicativos – foram as mais eficazes”, disse Dr. Alexander ao Medscape.

“Receber estímulos e apoio é essencial para assegurar que os pacientes alcancem o máximo de benefícios ao usar esses dispositivos”.

A revisão sistemática de 36 estudos, principalmente nos EUA e no Reino Unido, publicados até agosto de 2019 contendo no total 5.208 adultos, predominantemente entre os 32 e 71 anos de idade, avaliou os efeitos em curto prazo dos podômetros portáteis. As populações-alvo foram predominantemente os pacientes com diabetes tipo 2 (16 estudos), doença cardiovascular (13 estudos) e obesidade, obesidade mista ou sobrepeso (7 estudos).

A revisão foi feita com 20 ensaios clínicos randomizados com acelerômetros e 16 com podômetros, usando fatores de comparação como atendimento convencional, controles, nenhuma intervenção e uma intervenção mínima de simples contagem de passos.

Uma metanálise de 32 dos ensaios clínicos (4.856 participantes) identificou uma certa melhora da atividade física. As intervenções com acelerômetros revelaram pequeno aumento da atividade física em relação aos fatores de comparação em 20 estudos: DMP = 0,30 (intervalo de confiança, IC, de 95%, de 0,16 a 0,44). Em 15 estudos, os podômetros promoveram aumento médio em relação aos fatores de comparação: DMP = 0,52 (IC 95%, de 0,32 a 0,72).

Para os acelerômetros e podômetros vs. fatores de comparação combinados, houve um pequeno – porém significativo – aumento da atividade física total durante uma média de 32 semanas: DMP = 0,39 (IC 95%, de 0,28 a 0,51; heterogeneidade = 60% com IC 95%, de 41 a 73).

Na análise multivariada de metarregressão, a melhora veio por meio de duas abordagens: intervenções complexas contendo sessões de consulta presencial com os facilitadores (β = 0,36; IC 95%, de 0,17 a 0,55; P < 0,001) e intervenções com podômetros (β = 0,30; IC 95%, de 0,08 a 0,52; P = 0,002).

Em um desfecho secundário, 13 estudos observaram que os dispositivos de monitoramento foram relacionados com pequena, porém estatisticamente significativa, redução da glicemia (percentual da hemoglobina glicada) em relação aos fatores de comparação: diferença média (DM), – 0,25% (IC 95%, de – 0,45 a – 0,06). Em 10 estudos, as intervenções com podômetro pareceram ser as mais eficazes: DM = – 0,40 (IC 95% de – 0,55 a – 0,25). Não surgiu nenhuma associação com pressão sistólica e/ou diastólica, colesterol total e lipoproteína de baixa densidade do colesterol, índice de massa corporal ou peso.

Outras medidas, como a atividade física informada pelos participantes, equivalentes metabólicos de tarefas e tempos de atividade não foram significativas.

“Compreender a relação entre as intervenções com acelerômetro e podômetro com a atividade física em longo prazo poderia ter grandes repercussões no atendimento das pessoas com doenças cardiometabólicas”, escreveram os autores.

Fonte: Medscape

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