Microbiota saudável de astronautas pode permitir viagens mais longas



Vida de astronauta não é nada fácil. Passar muito tempo no espaço pode impactar seriamente a saúde de quem viaja para fora da Terra — efeitos no metabolismo, nos ossos, nos músculos, no sistema gastrointestinal, na imunidade e na saúde mental são alguns da lista. Mas, segundo uma revisão científica publicada nesta terça-feira (8) na revista Frontiers in Physiology, uma microbiota intestinal saudável pode evitar alguns desses problemas.


É comum que, em ambientes de microgravidade, os astronautas tenham náusea e, com isso, não comam o suficiente. Junto a outros fatores, essas mudanças nos hábitos alimentares podem perturbar a comunidade de microrganismos que habitam o intestino — a microbiota —, levando a mais problemas, como desnutrição, distúrbios metabólicos, além de diminuição da sensibilidade à insulina.


"O bem-estar da microbiota intestinal dos viajantes espaciais deve estar entre os objetivos principais das missões exploratórias de longa duração. Para garantir o sucesso da missão, não devemos ignorar os microrganismos que residem em nosso trato gastrointestinal e [precisamos] nos certificar de que estão em equilíbrio", disse, em nota, Martina Heer, professora da Universidade de Bonn, na Alemanha, e uma das autoras do estudo.


Junto à professora Silvia Turroni, da Universidade de Bolonha, na Itália, Heer revisou estudos sobre micróbios intestinais e seu papel na saúde em um ambiente extraterrestre. As pesquisas analisadas confirmam que mudanças no microbioma intestinal ocorrem durante as viagens espaciais. Por exemplo, um trabalho descobriu que a microbiota de astronautas da mesma missão se tornaram semelhantes entre si durante a viagem. Houve também um aumento das bactérias associadas à inflamação intestinal e uma diminuição daquelas com propriedades anti-inflamatórias.


SAIBA MAIS


Segundo as pesquisadoras, o caminho para evitar isso é o mesmo que vale para todo terráqueo: equilíbrio. Refeições nutricionalmente balanceadas, com muita fibra para impulsionar o metabolismo do intestino, devem ser a prioridade. Outras opções podem ser mais direcionadas, incluindo suplementos que forneçam bactérias capazes de reforçar o sistema imunológico ou aquelas que sintetizam vitaminas necessárias para o crescimento ósseo.


Embora as futuras missões a Marte procurem evidências de vida microbiana por lá, esse estudo mostra que o cuidado com nossos próprios micróbios serão importantes para levar os humanos até o Planeta Vermelho.


Fonte: Revista Galileu

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