Metanálise avalia acompanhamento ambulatorial após a alta da UTI

Uma metanálise publicada em agosto no periódico Journal of Critical Care revela que o acompanhamento de pacientes que receberam alta após terem sido internados em unidades de terapia intensiva (UTI) pode atenuar sintomas de depressão e de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e melhorar a qualidade de vida relacionada com a saúde mental. 

O estudo realizado por pesquisadores do Hospital Moinhos de Vento (HMV), da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (HCPA-UFRGS) buscou compreender um pouco mais sobre os efeitos do acompanhamento ambulatorial após internação em UTI, estratégia ainda utilizada em poucos países.

O Dr. Cassiano Teixeira, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) e médico intensivista do Hospital São Lucas da PUCRS, do HMV e do HCPA-UFRGS, falou ao Medscape sobre o trabalho.

Os pacientes que sobrevivem à UTI apresentam, segundo o Dr. Cassiano, significativa mortalidade em médio e longo prazos. Além disso, vivenciam uma série de problemas, como disfunção cognitiva, depressão e disfunção sexual após a alta.

“A evolução destes pacientes cursa com frequentes reinternações hospitalares e uso de muitos recursos da saúde, bem como consumo elevado de recursos financeiros relacionados com a saúde”, afirmou.

Os ambulatórios (ou clínicas) de acompanhamento para sobreviventes de internações em UTI surgem como estratégia para tratar as morbidades prévias à internação e para diagnosticar e tratar aquelas adquiridas durante a internação na UTI.

“Na sua concepção, o objetivo principal do ambulatório era melhorar a relação custo-eficácia dos cuidados”, destacou.

Entre os agravos identificados com mais frequência durante esse acompanhamento estão os distúrbios motores e neuropsicológicos, e o diagnóstico deles permite que os pacientes sejam referenciados às unidades especializadas.

“Trata-se de uma estratégia que visa amenizar os problemas relacionados com a fragmentação do sistema de saúde, pois o paciente oriundo da UTI é, por definição, um paciente complexo, mórbido e com alto risco de mortalidade em curto prazo”, afirmou o médico.

Atualmente, o acompanhamento ambulatorial pós-UTI ainda está começando a ser implementado, tanto no Brasil como no restante do mundo. Durante a pesquisa por trabalhos que abordassem o tema em repositórios de pesquisas como MEDLINE, PsycINFO, CINAHL, Cochrane CENTRAL e EMBASE, os autores do Rio Grande do Sul identificaram 26 estudos, somando mais de 35.000 pacientes – a amostra reuniu publicações de Ásia, Europa, América do Norte e Oceania.

A metanálise revelou que o acompanhamento ambulatorial pós-UTI é uma estratégia promissora, porém, para a equipe, a ausência de benefício em longo prazo (após seis meses) sinaliza a importância de aperfeiçoamento da intervenção.

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