Mesmo sem casos no DF, Saúde está em alerta para fungo preto


Com o aparecimento de novas variantes e o alto número de casos de covid-19 no Distrito Federal e no país, profissionais da saúde e a população começam a se preocupar com a infecção por mucormicose, popularmente conhecida como fungo preto, em pacientes com o novo coronavírus. No DF, não existem notificações desse tipo de doença, segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal. “A pasta esclarece que faz o rastreamento de todos os pacientes com covid, e não há nenhum caso de fungo preto registrado no DF”, diz nota oficial.


“É uma infecção secundária à covid-19, e nós não encontramos e não temos nenhuma notificação ainda dentro do DF sobre esse fungo acometendo uma infecção secundária em covid. Tão logo a gente tenha qualquer tipo de notificação vamos encaminhar aos nossos técnicos para que possam fazer esse levantamento junto à Secretaria de Vigilância em Saúde que faz acompanhamento desse pacientes”, afirmou o secretário de Saúde do DF, Osnei Okumoto.


O médico infectologista Flávio de Queiroz Telles, coordenador do Comitê de Micologia da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e professor-associado de infectologia do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que a mucormicose ou zigomicose é uma infecção fúngica grave. “Eles invadem o interior dos vasos sanguíneos, veias artérias, crescem por dentro dos tecidos que têm os vasos e obstruem o sangue. Quando falta sangue em qualquer órgão, o tecido morre, necrosa. Mais da metade das pessoas com mucormicose morre. Com covid, pior ainda”, ressalta.


Algumas hipóteses, não comprovadas até agora, apontam a cepa indiana como mais suscetível à contaminação da mucormicose. No entanto, na avaliação do especialista, isso acontece por uma soma de fatores. “A Índia é o país em que, hoje, tem mais pacientes internados na UTI por covid. Além disso, é um dos países que têm maior incidência por diabetes”, explica Telles.


Outro agravante é o uso de determinados medicamentos contra a covid-19, como o uso de corticoides, por exemplo, em pacientes considerados em estado grave. Segundo o infectologista, esses remédios diminuem a inflamação do coronavírus, mas, ao mesmo tempo, reduzem a defesa imunológica. “Pacientes com covid grave na UTI recebem corticoides. Faz parte do tratamento”, ressalta.


O fungo afeta os seios da face, o cérebro e os pulmões e pode ser fatal em pessoas com diabetes ou em pessoas gravemente imunossuprimidas, como pacientes com câncer ou com HIV. A mucormicose é considerada um fungo oportunista, pois se aproveita de pacientes que têm alguma deficiência imunológica. “Normalmente, a gente detecta esse tipo de fungo acometendo indivíduos que têm câncer, transplante e que fazem quimioterapia que compromete a parte imunológica”, explica o infectologista Marcelo Otsuko.


No entanto, a doença é muito rara. “É uma infecção conhecida há bastante tempo, diagnosticada no mundo inteiro, mas é rara, pois está associada a algumas características de oportunidade”, explica a microbiologista e professora do UniCeub Fabíola Castro.


Fonte: Correio Braziliense

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