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Menopausa: qual a relação dos hormônios com a saúde mental da mulher?



Eles são responsáveis por regular o funcionamento do nosso organismo e trabalham no nosso crescimento, humor e bem-estar. Estamos falando dos hormônios. Ao longo de toda a vida, eles influenciam (e muito!) no nosso comportamento — seja para o bem ou para o mal.


Nas mulheres, os hormônios vivem uma verdadeira montanha-russa. As oscilações começam antes da primeira menstruação, passam pelo ciclo menstrual, período gestacional, pós-parto, TPM e climatério (que envolve a perimenopausa, menopausa e pós-menopausa). E as mulheres mais vulneráveis do ponto de vista genético são as que mais sofrem. "Já na puberdade, ela começa a ter modificações no comportamento e começa a ter desregulação emocional, fica mais a flor da pele. Nos períodos de gestação e na perimenopausa também ocorrem impactos no cérebro e uma tendência maior a ter sintomas psiquiátricos, como depressão, ansiedade e insônia", explica Christiane Ribeiro, psiquiatra, Mestre em Medicina Molecular pela UFMG e membro da Comissão de Estudos e Pesquisa em Saúde Mental da Mulher da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Os hormônios e a saúde mental Os transtornos mentais não estão diretamente ligados às alterações hormonais, mas podem ser causas secundárias desse desequilíbrio, muitas vezes intensificando os sintomas.

Isso pode ser visto com bastante frequência no climatério, quando hormônios fundamentais para o organismo feminino começam a entrar em queda livre: o estrogênio e a progesterona. A falta de estrogênio no sistema nervoso central, por exemplo, modifica os neurotransmissores e esse desbalanço hormonal desencadeia alterações no humor, sono, libido, ossos e coração. A progesterona tem também função ansiolítica e a queda pode provocar mais ansiedade na mulher. Mulheres que já têm histórico de algum transtorno psicológico provavelmente verão os quadros de ansiedade e depressão se intensificarem no período do climatério.

"É importante investigar o período de vida em que a mulher se encontra, como foi a gestação — se ela tiver engravidado — para entender se ela tem uma sensibilidade hormonal importante. Sabemos que existe uma associação", diz Christiane Ribeiro.

"A história pregressa conta muito. Se a mulher já foi diagnosticada com alguma questão psicológica, ela tem mais chance de ter algum transtorno durante a transição do período reprodutor para o não-reprodutor", completa o psiquiatra Rodrigo Dias, que pesquisou a influência do ciclo menstrual no transtorno bipolar durante o doutorado.

Dias lembra que existem outras questões relacionadas ao aspecto psicológico que podem influenciar a fase menopausal. "A mulher entra no período de não reproduzir mais, isso pode ser um fator de estresse associado. Também existe a mudança do corpo. A mulher perde cintura, sente um acúmulo de gordura. Tudo em um ambiente onde o corpo da mulher é muito valorizado. Ou seja, pode desencadear mais estresse". Quando o estresse, ansiedade, humor e depressão são mais leves e sem histórico anterior, a terapia de reposição hormonal (TRH) pode ser uma grande aliada, orienta o psiquiatra. No entanto, nem todas as mulheres podem fazer a TRH. Nesses casos, os antidepressivos, especialmente os inibidores seletivos, podem ser receitados — tanto para tratar a saúde mental quanto os sintomas do climatério, como os fogachos. "Muitas mulheres têm dificuldade de assumir que não estão bem, que estão precisando de ajuda. Antigamente (e até nos dias de hoje), a mulher não podia falar que estava na TPM, era sempre estigmatizada. É importante conversar", ressalta a psiquiatra Christiane Ribeiro.


Fonte: G1

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