Mais de 900 trabalhadores da saúde já morreram por covid-19 nos EUA



Uma base de dados interativa criada pelo jornal "The Guardian" e o serviço americano de notícias sobre saúde Kaiser Health News (KHN) informa que mais de 900 trabalhadores do setor da saúde já morreram por covid-19 nos Estados Unidos desde o início da pandemia do novo coronavírus até esta terça-feira (11).


"Lost on the Frontline" ("Perdidos na linha de frente", em tradução livre), a mais completa contagem de mortos entre profissionais da saúde nos EUA, segundo os criadores, é fruto de uma parceria entre as duas redações e tem como objetivo contar, checar e homenagear cada trabalhador do setor que tenha morrido por causa da doença durante a pandemia.


De acordo com o KHN, conforme aumentam os casos do coronavírus Sars-Cov-2 e persiste a escassez de equipamentos de proteção, os trabalhadores do setor da saúde nos EUA lidam com situações potencialmente mortais, principalmente nos estados do sul e do oeste.


Através da análise e da comparação de registros e fontes, relatórios, redes sociais, obituários online, sindicatos de trabalhadores e jornais locais, os repórteres da "Lost on the Frontline" identificaram 922 trabalhadores de saúde que morreram por complicações derivadas da covid-19.


Uma equipe com mais de 50 jornalistas de "The Guardian", KHN e escolas de jornalismo passaram meses investigando mortes individuais para garantir que foram causadas pela covid-19 e que o falecido estava realmente trabalhando na linha da frente, em contato direto com doentes ou em locais de tratamento.


Os repórteres também têm investigado as circunstâncias das mortes, incluindo o acesso a equipamentos de proteção pessoal (EPIs), e têm entrado em contato com membros das famílias, colegas de trabalho, representantes sindicais e empregadores para comentarem as mortes.


167 histórias

Até agora, foram 167 publicações com nomes, dados e histórias de vida com colegas ou entes queridos dando opiniões e recordando acontecimentos. Todas as semanas são publicados os nomes das novas vítimas, e cada morte é confirmada individualmente antes da publicação.


A contagem inclui médicos, enfermeiros e paramédicos, além de trabalhadores de apoio crucial, como secretários de hospitais, administradores e funcionários de asilos para idosos.


As primeiras contagens sugerem também que a maioria dessas mortes ocorreu entre negros e imigrantes (103, ou 62%). Mas, como esta base de dados é um trabalho em andamento, com novos casos confirmados e acrescentados semanalmente, os primeiros resultados representam uma fração do total dos relatórios e não representam todas as mortes de trabalhadores da saúde, disse KHN.


Desses óbitos 103 foram registrados em abril, após o aumento inicial dos casos na costa leste. Ao menos 68 das vítimas moravam em Nova York e Nova Jersey, dois estados muito afetados no começo da pandemia, além de Illinois e Califórnia.


Pelo menos 52 (31%) tinham equipamentos de proteção inadequados e idade média de 57 anos, embora varie de 20 a 80, com 21 pessoas (13%) com menos de 40 anos. Aproximadamente um terço dessas pessoas, pelo menos 53, nasceram fora dos Estados Unidos, e 25 eram provenientes das Filipinas.


Embora 38% (64) fossem enfermeiros, o total também inclui médicos, farmacêuticos, socorristas e técnicos hospitalares, entre outros.


Despreparo

Segundo o KHN, um despreparo, erros governamentais e um sistema de saúde sobrecarregado aumentaram o risco. O acesso inadequado aos testes, a escassez de equipamento de proteção em todo o país e a resistência ao distanciamento social e ao uso de máscaras acarretaram mais internações em hospitais já sobrecarregados, e aumentaram o número de mortes.


O governo federal não registrou com exatidão as mortes de trabalhadores da saúde. Até o domingo passado, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês) reportaram 587 mortes entre este grupo, mas a agência não enumera nomes específicos e admitiu que trata-se de uma contagem insuficiente.


Fonte: R7

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