Médicos investigam casos de pacientes com câncer curados após Covid-19



Casos de pacientes com câncer que tiveram remissão dos tumores após serem diagnosticados com Covid-19 estão intrigando médicos. Especialistas do Reino Unido e da Itália investigam três casos semelhantes para descobrir se a resposta imunológica dos pacientes estimulada pelo coronavírus pode, acidentalmente, ter eliminado também as células tumorais e se a vacina contra a Covid-19 também poderia ter este mesmo efeito.


Um dos casos ocorreu na Cornualha, no Reino Unido, e foi descrito na revista científica British Journal of Hematology. O paciente, de 61 anos de idade, havia sido recém-diagnosticado com linfoma de Hodgkin, um tipo de câncer que atinge o sistema linfático. Poucos dias após receber seu diagnóstico, o homem foi internado no hospital com Covid-19 grave. Os tumores, que estavam espalhados por todo o torso do idoso, desapareceram.


Como o homem ainda não havia começado a quimioterapia, os médicos não têm ideia de como ocorreu o súbito desaparecimento das células cancerosas. No artigo, os especialistas afirmam que a remissão espontânea desse tipo de câncer é extremamente rara, tendo sido registrada apenas algumas poucas vezes em todo o mundo. A única explicação possível, segundo a equipe, seria o fato do paciente ter testado positivo para Covid-19.


Após a confirmação de que o homem havia sido infectado pelo coronavírus, o paciente desenvolveu pneumonia. Ele precisou receber oxigênio para ajudá-lo a respirar enquanto seus pulmões se recuperavam da infecção viral e ficou internado por 11 dias antes de receber alta e voltar para casa, totalmente recuperado — da Covid-19 e do câncer.

Poucas semanas depois, uma tomografia computadorizada confirmou que o câncer havia praticamente desaparecido. A conclusão médica foi de que a Covid-19 havia ativado o sistema imunológico do paciente ao ponto de não só eliminar o coronavírus, mas também as células tumorais.


No artigo médico, Sarah Challoner, oncologista que participou do caso, conta que a equipe médica acredita que “a Covid-19 desencadeou uma resposta imunológica antitumoral”. Segundo ela, as as células que combatem a infecção, chamadas células T, liberadas em grande escala pelo sistema imunológico para tentar se livrar do coronavírus, também atacaram as células cancerosas que foram reconhecidas pelo corpo do paciente como “estranhas”.


Casos sob investigação


Outro caso foi relatado na revista científica Acta Biomedica, em agosto de 2020. No artigo, médicos do Cremona Hospital, na Itália, descreveram o caso de um homem de 20 anos com linfoma não-Hodgkin, um tipo de câncer que tem origem nas células do sistema linfático e que pode atingir o corpo inteiro.


Diferentemente do caso do idoso britânico, o paciente italiano já havia passado por vários tratamentos, como quimioterapia e radioterapia, porém o câncer apresentou diversas recidivas. Contudo, após o jovem testar positivo para Covid-19, em março do ano passado, os exames mostraram que o câncer também havia sumido.


Um terceiro caso, desta vez no Hospital Humanitas Research em Milão, na Itália, foi relatado em fevereiro deste ano no Jornal Europeu de Medicina Nuclear e Imagem Molecular. Todos os sinais de linfoma desapareceram rapidamente em um homem de 61 anos diagnosticado com Covid-19.


Ainda que os casos descritos sejam impressionantes, os médicos alertam: de forma alguma um paciente com câncer deve se expor ao coronavírus de maneira proposital. “É muito mais provável que a Covid-19 leve este paciente à morte prematura do que à cura“, afirmou Paul Hunter, professor de medicina da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.


A dúvida, agora, é se a Covid-19 pode realmente “curar” o câncer ao fortalecer o sistema imunológico — e, em caso afirmativo, se as vacinas contra a doença poderiam ter o mesmo efeito.


“Os tumores muitas vezes escapam do sistema imunológico e, neste caso, a infecção de Covid parece ter estimulado o sistema imunológico de forma muito eficaz. Dado o quão comum é o câncer, e quão comum é a Covid-19, pode não ser surpreendente que vejamos mais relatos de remissão espontânea associada ao coronavírus. Mas provar causa e efeito será muito difícil, a menos que vejamos mais algumas dessas remissões”, analisou Hunter. (Com informações do Daily Mail)


Fonte: Metrópoles

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