Médicos criam guia para prevenir efeitos da pandemia na saúde mental



Desde o início da pandemia de Covid-19, sentimentos como ansiedade, medo e solidão passaram a fazer parte da rotina de (quase) todo mundo. Além da ameaça do vírus, fatores como o crescente desemprego e a convivência familiar também contribuíram para tirar o sossego e o sono de muitos brasileiros.


Pensando em minimizar o sofrimento emocional da população, a Upjohn, divisão da Pfizer focada em doenças crônicas não transmissíveis, criou o Guia de Saúde Mental Pós-Pandemia. A publicação foi realizada em parceria com o Instituto de Ciências Integradas (INI), em Porto Alegre, e com o apoio institucional do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.


Ao todo, 21 especialistas de diferentes áreas participaram da criação do guia, que contou não somente com o olhar de psicólogos e psiquiatras, mas também de educadores físicos, cardiologistas, neurologistas, geriatras, entre outros. Isso deu à publicação um carácter transdisciplinar e uma visão integrada da saúde. "Desenvolvemos este guia com dicas e orientações que abordam questões específicas para cada período de vida, da infância ao envelhecimento, trazendo soluções plurais a este desafio singular", afirmou Luiz Vieira, gerente médico da Upjohn, em coletiva de imprensa virtual nesta sexta-feira (30) para o lançamento do guia. 

Ele está disponível gratuitamente no site oficial da iniciativa. Apesar de qualquer um poder acessá-lo, o conteúdo foi pensado especialmente para os grupos mais sensíveis ao estresse provocado pela pandemia: profissionais da saúde, crianças e adolescentes, pessoas que perderam familiares para a Covid-19, que tiveram a doença ou convivem com outras enfermidades.


Em 12 capítulos, ele aborda temas como sono, sexualidade, meditação, atividade física e alimentação nesse período. Além disso, o material também explica quais são os principais sinais de alerta de uma saúde mental em risco — seja de você mesmo, seja de familiares, amigos ou conhecidos.


Entre os principais indicativos estão comportamentos como fuga de contato social (mesmo quando possível e esperado), alterações no padrão de sono e apetite, desinteresse e queda no rendimento profissional ou escolar, irritabilidade excessiva, choro fácil, angústia e desesperança.


Segundo os especialistas, o primeiro passo para superar essa fase é desenvolver um olhar sobre si mesmo. "Antes de colocarmos a máscara no outro, nós colocamos em nós mesmos", exemplificou Ary Gadelha, psiquiatra e coordenador do guia. "Podemos fazer com que a pandemia seja um momento para refletirmos, mas isso só irá acontecer se nos envolvermos com nossas emoções."


Para conseguir diminuir e prevenir o estresse, os médicos ressaltam a importância de manter tratamentos clínicos e acompanhamento psicoterapêutico, dormir bem, ter uma alimentação saudável, fazer atividade física, evitar o excesso de informações e pedir ajuda. Uma vez que a pessoa esteja cuidando de si, ela pode se relacionar melhor com aqueles que estão ao seu redor ao identificar quem não está bem, oferecer ajuda e retomar vínculos sociais.


"O legado deste guia será percebido em vários níveis, desde a atenção primária ao atendimento prestado por especialistas. É um trabalho com um olhar sensível e sistêmico sobre a importância do cuidado mútuo", ressaltou Luis Augusto Rohde, professor titular do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador geral do Guia de Saúde Mental Pós-Pandemia.


Apesar das duras consequências da pandemia, ainda há um lado dessa situação que pode ser aproveitado. "Sem dúvidas também temos coisas boas para tirar, como a oportunidade de estar com as crianças e em casal", disse a psiquiatra e coordenadora do guia Carmita Abdo, que participou da cerimônia online de lançamento da publicação. "Com tempo, somos capazes de ter mais criatividade e crescimento pessoal. Com mais consciência, aprendemos muito sobre o que é a vida e como aproveitá-la. Com mais apreço à saúde, nos manteremos vivos e superaremos essa fase", concluiu.


Fonte: Revista Galileu

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