Médico que 'introduziu' a cloroquina contra a COVID-19 será processado por charlatanismo na França



O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos apresentou uma queixa no início de dezembro contra seis médicos na França, incluindo os professores Didier Raoult e Christian Perronne, em razão de comentários considerados controversos sobre a epidemia de COVID-19. As informações foram publicadas nesta terça-feira (22) pelo jornal Le Monde.


O corpo da ordem dos médicos examina desde o início de dezembro uma série de denúncias contra médicos, a maioria feita publicamente sobre a pandemia causada pelo coronavírus.


Raoult e Perronne foram acusados de promover "charlatanismo" com a ciência. Eles são acusados de "violações da ética médica conforme definido pelo código de saúde pública". Uma dessas violações é o charlatanismo: o uso de um "remédio ou de um processo ilusório ou insuficientemente testado".


Professor Perronne demitido de seu posto


No que diz respeito ao professor Perronne, a Assistência Pública do Hospital de Paris anunciou na última quinta-feira (17) que encerrou as suas funções como chefe de departamento. Ele foi demitido após ter afirmado que os pacientes da COVID-19 representavam um lucro financeiro inesperado para médicos. Na ocasião, ele voltou a fazer comentários controversos sobre a hidroxicloroquina.


Didier Raoult enfrenta nova denúncia


Essa não é a primeira vez que Didier Raoult enfrenta uma denúncia pelos conselhos de medicina na França. Em setembro deste ano, Didier Raoult foi denunciado pela Sociedade de Patologia Infecciosa de Língua Francesa (SPILF), que o acusou de uma promoção indevida da hidroxicloroquina.


O microbiologista, tenaz defensor da hidroxicloroquina, está no centro de uma polêmica por, supostamente, ter atrapalhado a gestão da crise do coronavírus pelas autoridades. De acordo com a ordem dos médicos da França, suas palavras pressionaram o conselho, jogando-o contra a população.


A polêmica hidroxicloroquina no Brasil


O presidente dos EUA, Donald Trump, elogiou frequentemente o uso da hidroxicloroquina como tratamento para pacientes com coronavírus. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro seguiu a mesma retórica, fomentando inclusive o aumento da produção do remédio.


​De maneira comprovadamente eficaz, a hidroxicloroquina e um composto relacionado à cloroquina têm sido usados ​​há décadas para tratar a malária, bem como os distúrbios autoimunes do lúpus e da artrite reumatoide. Porém, não há recomendação do remédio em casos de COVID-19.


Além de minimizar a necessidade de comprovação científica, o presidente Bolsonaro destacou ao longo dos últimos meses que haveria uma "guerra ideológica" por trás da polêmica em torno da substância.


Apesar de sua insistência, dois, dos três ministros da Saúde que passaram pelo governo, afirmaram que o remédio não deve ser utilizado como forma de combate ao vírus.


Fonte: Sputinik

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