Médico que criou Terço Gigante faz apelo por distanciamento social

Idealizador do Terço Gigante que há mais de duas décadas é atração da Festa da Penha, o médico e fiel Osmar Sales divide-se hoje entre dois sentimentos: a resignação respaldada e consciente do profissional de saúde e a tristeza do católico engajado por não poder ver o rosário em dimensões surpreendentes ser erguido entre as palmeiras do campinho do Convento, em Vila Velha. Em ambos os papéis, porém, seu diagnóstico é um só: é preciso, de fato, se cuidar neste momento e praticar o distanciamento em tempos do novo coronavírus.

“No cenário de pandemia em que estamos, tem de ser dessa forma. Aglomeração só vai piorar a situação, o vírus circula mais. Se não tivermos esses cuidados, esse isolamento social, o risco de morte seria multiplicado por dez nesse panorama. O distanciamento é necessário, porque a situação não é brincadeira. Os Estados Unidos, país de primeiro mundo, registrou em torno de duas mil mortes em dia só. E no Brasil, há essa questão cultural de não se dar atenção às coisas sérias, além da pobreza e do ajuntamento das comunidades periféricas. Aqui é uma situação incomensurável”, disse Osmar.

O ginecologista e obstetra destacou que a versão virtual foi a opção mais adequada para a realização do maior evento religioso do Estado, que em 2020 completou 450 anos. Para comemorar o marco de quatro séculos e meio, na ideia original, com presença física do público, tudo seria especial, das luzes ao material usado no terço. “Foi tudo preparado com muita antecedência. O terço que eu fiz para este ano está todo guardado, está praticamente pronto”, lembrou.

Para quem está curioso sobre como é a peça, Osmar dá o “spoiler”. O Terço Gigante tem pegada ecológica, com lírios feitos à mão e grandes esferas verdes de grama. “Os lírios ficariam apenas no Pai-Nosso. Representam também a própria Maria, a singeleza, a beleza, a pureza da alma. Toda uma aura celestial. Essas flores seriam um ato de louvor de agradecimento. Teria iluminação especial, tudo seria especial, porque a festa é especial. Mas de repente vem um vírus e parou tudo”, comentou.

Apesar do quadro preocupante, o médico vê algo positivo neste período, a volta de homens e mulheres para as coisas dos céus. “As pessoas estão mais dentro de casa, assistindo à programação religiosa, pedindo a Deus que tudo pare. As pessoas de uma certa maneira se voltaram para Deus. Muita gente que talvez não tenha uma forma de expressar a fé dentro de um templo de repente se apegou a uma força superior, pois sabe que pelas próprias forças não teria condições de lidar com uma situação tão grave desta”, afirmou o ginecologista.

Ainda de acordo com ele, um outro terço está sendo preparado para o Mês do Rosário, celebrado em outubro. O que foi confeccionado para a Festa da Penha deste ano só será erguido na edição de 2021.

A decisão de não levantar a peça às vésperas da Festa da Penha partiu em comum acordo e foi tomada por Frei Paulo Roberto Pereira, guardião do Convento, temendo aglomeração do grupo responsável durante os preparativos finais dos materiais e de fiéis que eventualmente seriam atraídos para ver a composição sendo instalada entre as palmeiras.

Acompanhe tudo sobre a Festa da Penha 2020 com formato inédito e virtual em agazeta.com.br/festadapenha.

Fonte: G1

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