Médico passa 60 dias internado devido à Covid-19, é tratado por primos no hospital e volta para casa


 
 

Os 62 dias de internação terminaram bem para o médico pernambucano Luiz Henrique Campelo, que teve um quadro grave da Covid-19 e precisou de tratamento intensivo. No processo de cura da doença, ele contou com o carinho e a experiência da família, já que foi tratado por primos que também são médicos.


"Eu me internei no dia 4 de novembro e, no dia 6, estava na UTI [Unidade de Terapia Intensiva], para você ver a violência em muitos casos. Mesmo sem fazer parte do grupo de risco nem ter comorbidades, desenvolvi uma forma gravíssima da doença. Por um milagre de Deus, da equipe médica e da minha família, com amor, oração e fé, a gente conseguiu superar isso juntos", contou.

Internado no Hospital Português, no Recife, Luiz Henrique, de 49 anos, precisou ser submetido ao uso do ecmo, um aparelho que funciona como um pulmão artificial, ajudando o paciente a se recuperar. Ele é utilizado em casos extremos de danos ao pulmão, que podem acontecer nos quadros mais graves do novo coronavírus. O funcionamento do ecmo é similar à hemodiálise, mas a diferença é que o sangue sai do corpo do paciente e é bombeado direto para uma espécie de filtro, que retira o excesso de gás carbônico e injeta oxigênio.

Emanuel Campelo, primo de Luiz e médico, relatou que esperava um quadro leve da doença e se surpreendeu ao ver o parente naquele estado.

"Esperava que fosse um caso muito simples de resolver, um caso de uma internação de uns três, cinco, sete dias e que, rapidamente, ele fosse se recuperar e voltar à vida normal. As coisas foram se complicando, cada vez piorando, até que chegou o ponto do ecmo. Foi muito difícil, principalmente o dia em que foi instalado o aparelho. Eu cheguei na UTI e vi aquela situação catastrófica", disse Emanuel. Apesar do medo, os tratamentos e a fé da família seguiram fortes. As festas de fim de ano foram diferentes, mas o ano de 2021 chegou repleto de alívio para a família Campelo. No dia 6 de janeiro, Luiz recebeu alta da UTI. Após dois meses de tratamento com os primos Emanuel, Eduardo e Guilherme Campelo, Luiz voltou para casa.

"Nesse momento, deixei o médico de lado e me tornei paciente, nessa equipe que foi brilhante. A visão da gente muda quando a gente está do outro lado. Por isso, é importante a gente utilizar a empatia", declarou Luiz. Chamado carinhosamente pela família de Lula, o médico segue seu processo de recuperação, fazendo fisioterapia e cuidando do corpo para voltar a ajudar a salvar outras vidas.

"Eu trabalhava muito, assim como praticamente todos os médicos e pessoal da saúde. Depois que você passa por isso... Não que eu não me dedicasse à família, mas agora estou revendo tudo isso. Claro que vou continuar exercendo medicina, que é a minha paixão, mas, cada vez mais, é minha família e Deus acima de tudo", afirmou.


Fonte: G1

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