Influência da natureza em nossa saúde é maior do que se imagina



Você sabe o que é biofilia? Enquanto a palavra “philia” significa amor, bio faz referência à vida. O termo popularizado pelo biólogo Edward Osborne Wilson, na década de 80, designa uma tendência inata que o ser humano teria de buscar conexões com a natureza e outras formas de vida, por questões evolutivas da espécie.


Instintivamente sabemos que estar em contato com o meio ambiente nos faz bem. Não por acaso, “dar uma caminhada para relaxar a cabeça” ou sentir as "energias recarregadas" depois de um banho de cachoeira são expressões utilizadas por muita gente. Pesquisas recentes têm conseguido provar a eficácia desse contato. "Restauração da atenção, melhora do sistema imune e diminuição de ansiedade e depressão, são apenas alguns dos benefícios já comprovados trazidos por experiências que promovem a conexão com a natureza. Ou seja, a natureza é de fato um “remédio” gratuito e acessível, capaz de ajudar na prevenção e combate de diversos problemas", explica Luciano Lima, biólogo e mestre em Zoologia. A conexão com a natureza impacta tanto a nossa vida que o simples ato de cuidar de plantas em vasos tem sido prescrito como tratamento na Inglaterra para pessoas que sofrem de ansiedade e depressão. Há séculos esses benefícios já eram estudados pela ciência. A Teoria Ambientalista de 1859, por exemplo, criada por Florence Nightingale, considerada a fundadora da enfermagem moderna, já citava a importância do ar fresco e do contato com animais como exemplos de influências externas que podem contribuir para o tratamento de doenças. Ora, se toda essa aproximação é benéfica, a falta deste tipo de contato pode trazer problemas. É o que muita gente tem vivenciado na quarentena.

"A privação da conexão com a natureza por conta da quarentena tem feito muita gente ressignificar sua relação com a natureza. As pessoas estão se dando conta que "doses" de ar livre são indispensáveis para o bem estar. As vezes precisamos perder algo para entendermos o quando é importante para nós", cita Lima.

Termos conhecidos como “Transtorno de Déficit de Natureza” e de “Vinatina N (natureza)”, criados pelo escritor e jornalista norte americano Ruchard Louv, têm influenciado instituições mundiais a promoverem uma aproximação entre os humanos e o mundo natural. Mas, segundo o biólogo, no Brasil toda essa potencialidade ainda é pouco explorada. "Alguns institutos de pesquisa no Brasil já têm investigado o tema, mas ainda há espaço para muitas pesquisas. Somos o pais da biodiversidade e entender que isso é capaz de afetar positivamente a saúde e o bem estar das pessoas precisa fazer com que a natureza brasileira e nossas áreas verdes de modo geral passem a ser ainda mais valorizadas".

Estudos também indicam que a conexão, principalmente de crianças e jovens, com a natureza, não só traz benefícios para a saúde física e mental, como também implica em atitudes mais positivas em prol da conservação do meio ambiente. "Pessoas que estão sempre próximas da natureza se preocupam mais com temas ambientais como a conservação da biodiversidade e agem proativamente a favor de causas ambientais. Um observador de aves, por exemplo, entende a importância da Amazônia para a biodiversidade, não é exagero dizer que o contato com os passarinhos ensina isso para ele", afirma Luciano. Banho de Floresta

No Japão, a conexão com a natureza é tão importante que o conhecido shinrin-yoku (banho de floresta, em português) é considerado como uma espécie de terapia, desenvolvida em 1982.

As sessões, fora do consultório, exigem o exercício do deslocamento até uma área verde e a disponibilidade de passar um tempo em silêncio, caminhando lentamente entre as árvores. A técnica, que necessita de caminhadas de mais de 40 minutos, propõe uma imersão completa da consciência com o ar livre alcançada depois de vários treinos.

Foi comprovado por diferentes instituições japonesas que o banho de floresta, usado como medicina preventiva, quando praticado de forma contínua e correta, pode ajudar a regular a pressão arterial, aumentar a imunidade e até diminuir o estresse, na medida que diminui as concentrações de cortisol.


Fonte: G1

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