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Idosa realiza sonho e reencontra irmãos após quase 70 anos sem vê-los



Depois de quase 70 anos sem nenhum contato, a aposentada Maria Gomes da Silva, de 82 anos, realizou um sonho que para ela parecia inalcançável até então: reencontrou os quatro irmãos no Piauí. O reencontro familiar aconteceu após a idosa, que mora em Roraima há mais de cinco décadas, receber a ajuda dos netos. Eles usaram as redes sociais para buscar informações sobre o paradeiro dos irmãos da avó.


O reencontro foi selado com abraços e sorrisos de alívio. O neto Denison Gomes, de 27 anos, foi um dos que ajudou ela e a acompanhou na viagem de Roraima ao Piauí. "Foi a melhor coisa do mundo que aconteceu na minha vida. Esse reencontro com minha família foi o maior prazer que já tive na minha vida, a maior alegria que passou no meu coração. Eu agradeço a Deus por isso, porque estou aqui", disse dona Maria. O neto Denisson conta que durante anos a avó pedia que procurassem a família, mas nunca era ouvida. No entanto, em dezembro do ano passado ele e a irmã, Nataline, de 25 anos, decidiram acatar o pedido e iniciaram a missão dada pela matriarca.

"Eu e minha irmã vimos ela chorando no quarto e daí demos início a procura em dezembro de 2021. Nós resolvemos colocar algumas informações que nossa vó nos deu no Facebook. A administradora do grupo se interessou e nos ajudou na procura. Na mesma semana encontramos a tão falada irmã gêmea da minha vó, no caso nossa tia Francisca", relembrou. Maria Gomes é gêmea e o nome da irmã foi uma das pistas que ela deu aos netos para ajudá-los nas buscas. Com as informações repassadas pela avó, os netos recorreram a um grupo de procura por pessoas no Facebook. No mesmo grupo em que Denison havia compartilhado as informações sobre a avó, do Piauí, a neta de Francisca também estava procurando Maria. A partir disso, os primos começaram a comparar as informações que tinham e, no fim, tudo se encaixou.

Como se por obra do destino ou uma ligação de irmãos gêmeos, as irmãs dividiam o mesmo desejo: a família de Francisca também buscava informações sobre Maria. Após encontrar a irmã pelas redes sociais, em Roraima, a família de dona Maria começou a se organizar financeiramente para que ela viajasse de Roraima ao Piauí e pudesse rever todos. De lá, os dois seguiram para um povoado chamado de Mucambo onde encontraram a gêmea Francisca e o irmão Antônio, de 84 anos. Depois de cinco dias para descontar a saudade, a família foi até a região de Caraíbas para reencontrar João Culete, de 99, e, por fim, seguiram para o município de Santo Inácio onde encontraram o irmão mais velho, Manoel Temista, de 100 anos.

O filho caçula de dona Maria, Joice Cleibe, foi quem proporcionou o momento e custeou toda a despesa. No dia 7 deste mês de março, ela e o neto deixaram Roraima com destino a Teresina, capital do Piauí. O momento de emoção dos irmãos foi registrado pelos familiares. Além de receber o tão sonhado abraço, a idosa também conheceu os sobrinhos e sobrinhos-bisnetos que nunca havia visto. "Eu me sinto muito feliz, sabe? Nem tenho palavras para expressar o tamanho da felicidade em ver o sorriso da minha vó, parece até que ela rejuvenesceu uns cinco anos", disse o neto Denison. Adeus ao Piauí Irmã gêmea, Maria nasceu em maio de 1940, no município de Picos e faz parte de uma família composta por oito irmãos. Aos 16 anos, ela casou com um primo e seguiu em destino ao Maranhão, onde teve oito filhos.

Na década de 70, ela veio para Roraima onde teve seu último filho e estabeleceu a vida, no município de Caracaraí, no Sul de Roraima, onde mora até hoje. Desde então, a idosa perdeu o contato com a família e passou a se dedicar totalmente aos filhos em Roraima. Mãe de cinco homens e quatro mulheres, ela também ajudou a criar os 30 netos, cerca de 42 bisnetos e quatro tataranetos. O esposo, Francisco Gomes da Silva, morreu em 2016 devido ao câncer de próstata. Segundo Denison, a viagem deve acabar no dia de 7 abril, quando eles voltam para Roraima - e até lá, tem muito assunto para por em dia. Os irmãos vão continuar morando em estados diferentes, mas a avó quer reencontrá-los outras vezes, com um intervalo de tempo muito menor. "Quando eu voltar pra Caracaraí vou sentir saudades. Eu não sei se ainda volto aqui, só Deus sabe da minha vida, mas, pode ser que eu volte até o final dela", afirma ela.


Fonte: G1

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