Hospital infantil 'inaugurado' em dezembro e que custou mais de R$ 6,7 milhões continua fechado



Em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, um hospital que foi construído para cuidar das crianças continua fechado. A unidade de saúde prometeu atendimento com tecnologia de ponta para os moradores de Parada Angélica, e já foi até inaugurada pela prefeitura. Mas, por enquanto, não atende ninguém.


Toda a fachada do Hospital Infantil Padre Guilherme foi feita com material de boa qualidade. Os vidros, a iluminação, a calçada e a parte elétrica são novos. Só faltam mesmo as ambulâncias na garagem e o principal: médicos e pacientes.

O RJ1 esteve no local e encontrou algumas pessoas dentro da emergência que já foi inaugurada, mas que até agora não foi aberta ao público. “A população está precisada de um atendimento, não sei por que cargas d’água já foi inaugurado e não se abriu pra população. Por que que faz tanto farol e na hora do necessário mesmo não vem atender a população tão carente?", questiona a aposentada Helena Costa. Inaugurado em dezembro No dia 8 de dezembro do ano passado, o prefeito de Caxias, Washington Reis, postou um vídeo dentro do hospital, da inauguração da unidade. Ele estava ao lado do governador Cláudio Castro.

"Nós estamos aqui em Parada Angélica, inaugurando o nosso hospital infantil. Mais 500 metros já estamos no município de Magé. Esse hospital vai atender essas duas cidades", disse Washington Reis na época. "A gente tá vendo aqui um equipamento público, entregue pra população hoje, a gente se orgulha muito", falou o governador. Muitos moradores de Parada Angélica, em Duque de Caxias, acompanharam de perto todas as obras do Hospital Padre Guilherme. Com a inauguração, eles tinham a esperança de que muitas crianças da região pudessem ser atendidas no local. Mas não foi o que aconteceu.

O hospital infantil de Parada Angélica foi construído em uma área de 1200 metros quadrados e foi projetado para ter oito consultórios de atendimento, seis sala de enfermaria, ultrassonografia, raio-x e dependência para os profissionais de saúde.

Painéis solares foram instalados para produzir energia limpa e reduzir os gastos com o fornecimento de energia elétrica.

O investimento da prefeitura também foi alto. O contrato de execução dos serviços mostra que o valor inicial da obra foi de quase R$ 5,5 milhões, assinado em 11 de março de 2020. Em janeiro do ano seguinte, um termo aditivo constatou a necessidade de um acréscimo financeiro para a conclusão do hospital. Pouco mais de um R$ 1 milhão foi gasto.

Dez meses depois, foi necessário mais dinheiro para finalizar a obra na unidade. Dessa vez, R$ 262 mil, totalizando mais de R$ 6,7 milhões.

No início desse ano, mais gastos. A Prefeitura de Caxias firmou contrato com o consórcio Prohealth para a prestação de serviços médicos e média e baixa complexidade em três hospitais do município, entre elas a unidade infantil de Parada Angélica. O valor foi de mais de R$ 47,8 milhões.

"As crianças da gente aí não tem pra onde ir, e aí tem que ir pra Fragoso, Magé, Piabetá, vai pra Bongaba , vai pra outras unidades, porque aqui em Caxias não tem. O que eu vou fazer? Ó a obra aí bonita, linda, gastou quase R$ 6 milhões, toda mês inaugura e vai adiando, adiando, adiando”, fala o aposentado Francisco José. O que dizem os envolvidos A Prefeitura de Caxias reconheceu que houve um equívoco durante a gravação do vídeo do prefeito Washington Reis junto ao governador Cláudio Castro.

A prefeitura disse que a obra do hospital já estava concluída, mas ainda não seria inaugurada. E que o motivo da visita do governador era apresentar a obra e pedir liberação de verbas do governo pra compra de equipamentos.

Informou ainda que assim que a compra dos equipamentos for efetivada, a unidade entrará em funcionamento, mas não deu prazo para que isso aconteça.

A Secretaria de Saúde do estado disse que, da parte dela, não houve investimento financeiro. O RJ1 não conseguiu contato com o consórcio Prohealth. Fonte: G1

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