Homeopatia na Europa: maré está virando?

A medicina baseada em evidências (tratamentos baseados em evidências de segurança e eficácia provenientes de ensaios clínicos) vem crescendo há décadas na Europa e em todo o mundo. Então, por que um sistema terapêutico que foi considerado ineficaz nos ensaios clínicos continua sendo usado?

História

A homeopatia foi criada no século XVIII pelo médico Samuel Hahnemann, na Alemanha, com base no princípio Similia similibus curantur (o semelhante cura o semelhante), e que quanto maior o número de diluições das substâncias, mais benéficos os efeitos delas. Quando os tratamentos convencionais eram feitos com sangrias e purgantes, e as cirurgias muitas vezes causavam infecções fatais, estes princípios podem ter tido o benefício de, pelo menos, parecerem inócuos. Mas, agora que a medicina moderna compreende melhor as causas das doenças e como tratá-las, a homeopatia tem sido rejeitada como sendo, na melhor das hipóteses, um placebo.

Há sinais de que os governos da Europa estão tornando mais rígidas as regras de financiamento da homeopatia pelo Estado, com o recente anúncio do Reino Unido, da França e da Espanha sobre o fim do financiamento ou do subsídio para os produtos ou serviços homeopáticos. Demos uma olhada na popularidade da homeopatia no continente, as diferentes tradições de sua utilização e perguntamos se as atitudes estão mudando.

Evidências

O maior levantamento de estudos sobre a homeopatia foi publicado em 2015, quando o Australia’s National Health and Medical Research Council analisou 57 revisões sistemáticas que avaliaram a eficácia da homeopatia em comparação com o placebo ou outro tratamento em 68 doenças. As revisões sistemáticas foram feitas com 176 estudos.

O NHMRC concluiu que: “De acordo com todos os elementos das evidências consideradas, não houve doenças para as quais tenham existido provas fidedignas de eficácia da homeopatia. Nenhum estudo de boa qualidade, bem desenhado, com número suficiente de participantes constatou que a homeopatia foi melhor que o placebo, ou promoveu melhora da saúde igual à obtida com outro tratamento.”

Esta revisão, que se tornou uma referência, tem sido citada por organizações e serviços de saúde que desde então querem cortar o financiamento da homeopatia.

Em 2017, o Specialist Pharmacy Service do Reino Unido atualizou a revisão do NHMRC pesquisando revisões sistemáticas publicadas desde a data da pesquisa. Sua conclusão foi: “A qualidade dos ensaios clínicos avaliados na maioria das revisões é variável, portanto, os novos dados não modificam a conclusão da análise do NHMRC feita em 2015.”

Regulamentação

Os medicamentos homeopáticos na Europa são normatizados pela Diretiva Europeia 2001/83/CE, que regula todos os medicamentos. Exige que os Estados membros da União Europeia (UE) tenham: “Um processo de registo simplificado especial” para os produtos homeopáticos, exigindo que as empresas que os comercializam deixem clara sua conformidade com as normas de fabricação, mas que não exigem que comprovem sua eficácia desde que “não haja indicações terapêuticas específicas na bula ou no rótulo do medicamento”.

Fonte: Medscape

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