Governos se mobilizam para prestar apoio psicológico à população de Saudades após ataque em creche


Os governo federal, estadual e municipal estão se mobilizando para oferecer apoio psicológico às vítimas, familiares e à comunidade de Saudades, no Oeste catarinense, após o ataque à escola infantil que resultou na morte de três crianças e duas funcionárias. Uma comitiva do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos está na cidade e se reuniu com a administração municipal nesta quarta-feira (5) para definir estratégias de apoio e atendimento à população. Cerca de 25 psicólogos estão realizando atendimentos e a prefeitura da cidade estuda a contratação de mais profissionais.


Para especialistas os chamados primeiros socorros psicológicos (PSP) tem como objetivo de auxiliar a estabilizar o estresse agudo vivido pelas pessoas após grandes traumas como este. "O atendimento não é para ela crescer nesse momento de crise, nem para a pessoa se curar é para ela se estabilizar. Os primeiros socorros psicológicos são uma resposta de suporte às pessoas em situação de sofrimento e com necessidade de apoio", disse a psicóloga Camila Custodio. Para a terapeuta especialista neste tipo de atendimento, a psicóloga Camila Custodio, o profissional deverá realizar uma escuta acolhedora e gentil para ajudar no reestabelecimento dos pacientes. "Com certeza [esse atendimento] deve ser estendido para a população e demais profissionais, seja através de atendimento específico, individual ou de grupos de acolhimento para vítimas de desastres como esse", informou. "O profissional tem que ter um olhar social e não individualizador para que isso não venha a se repetir. Esse é um momento de trazer as pessoas para próximo uma das outras, o que é mais complicado em momentos de pandemia", concluiu. A Federação Catarinense de Municípios (Fecam) informou que nesta quinta-feira (6) os representantes dos municípios pensarão em propostas para formular políticas conjuntas de cuidado que podem ser adotadas em situações como estas. A reunião também servirá para discutir, segundo a entidade, estratégias para reforçar a segurança em creches e escolas municipais.

Ações governamentais Durante a coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (4), Daniela Reinehr afirmou que o ataque foge à normalidade e causa consternação em uma cidade pequena e pacata do interior. Ao todo, 25 psicólogos de toda a região Oeste estão trabalhando para dar amparo à comunidade e aos familiares. Os bombeiros que aturam no atendimento da emergência também receberam apoio psicológico, segundo o tenente-coronel Walter Parizotto.

“As pessoas não estão preparadas e nem podem imaginar que algo assim possa acontecer. Eu prontamente acionei as nossas forças de segurança para que estivessem aqui. Não há o que traga de volta essas vítimas nem o que compense essa dor. O momento é de trazer nosso apoio e nossa solidariedade”, afirmou a governadora. Durante o velório das vítimas, nesta quarta-feira (5), o prefeito da cidade, Maciel Schneider, informou que além do apoio estadual o governo federal também se colocou a disposição para prestar auxilio às famílias. A equipe de saúde e psicólogos municipais estão acompanhando as famílias afetadas, segundo ele. "A ministra Damares Alves colocou o seu ministério a disposição do nosso município para dar o suporte as essas famílias que tiveram essas vítimas e também as famílias de pessoas que presenciaram essas cenas. [...] Temos também o apoio de profissionais de universidades e de municípios vizinhos", disse o prefeito Segundo a secretária municipal de educação, Auliane Hackenhaar, uma equipe de profissionais da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) também auxiliará no atendimento aos pacientes. Auliane, afirma que a cidade ainda discute a contratação de mais psicólogos. Comitiva federal A comitiva composta por servidores da Secretaria Nacional dos Direitos de Crianças e Adolescentes do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, se reuniram com o prefeito e secretários da gestão nesta quarta-feira (5) para uma "escuta qualificada sobre as definições de estratégias de apoio e atendimento à população". A ministra Damares Alves participou da reunião de maneira remota. Detalhes sobre as ações que serão colocadas em prática não foram informadas pela pasta. Os representantes ainda visitaram o local em honra a vítimas do ataque. Quem são as vítimas:

  • Keli Adriane Aniecevski, de 30 anos, era professora e dava aulas na unidade havia cerca de 10 anos

  • Mirla Renner, de 20 anos, era agente educacional na escola

  • Sarah Luiza Mahle Sehn, de 1 ano e 7 meses

  • Murilo Massing, de 1 ano e 9 meses

  • Anna Bela Fernandes de Barros, de 1 ano e 8 meses

O que se sabe até agora:

  • Um homem de 18 anos invadiu a escola Aquarela com duas facas às 10h de terça (4).

  • A creche fica na cidade de Saudades (SC), 600km de Florianópolis, e atende crianças de 6 meses a 2 anos.

  • 20 crianças estavam no local sob os cuidados de 5 professoras.

  • A primeira pessoa que o assassino atacou foi a professora Keli Adriane Aniecevski.

  • Mesmo ferida, a professora correu para uma sala, onde estavam quatro crianças e a agente educativa Mirla Renner, de 20 anos.

  • O homem chegou até a sala e continuou os ataques, matando Keli e três crianças. Mirla chegou a ser socorrida, mas não resistiu.

  • Todas as vítimas foram atingidas com, pelo menos, cinco golpes de facão.

  • O assassino tentou entrar em todas as salas da creche, mas professoras conseguiram se trancar e proteger as crianças.

  • A única sobrevivente ao ataque é uma criança de 1 ano e 8 meses, que está na UTI

  • O assassino foi preso e levado ao hospital após dar golpes contra o próprio corpo. Estado de saúde dele é grave.

  • Polícia encontrou R$ 11 mil e duas embalagens de facas novas na casa do assassino.

  • O velório e o sepultamento das cinco vítimas foram coletivos.

  • O homem foi autuado em flagrante por cinco homicídios triplamente qualificados, além de uma tentativa de homicídio contra a criança que foi ferida.

Fonte: G1

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