Governador de Minas demite secretário de saúde após suspeita de furo na fila de vacinação



O governador Romeu Zema (Novo) comunicou a demissão do secretário de estado de Saúde de Minas Gerais, Carlos Eduardo Amaral, na noite desta quinta (11/3). Ele estava pressionado após abertura de CPI na Assembleia para investigar a vacinação de 806 servidores da pasta contra a COVID-19.


“Comunico o afastamento do Dr. Carlos Eduardo da Secretaria Estadual de Saúde. Agradeço o trabalho que realizou à frente da secretaria, em especial no combate à pandemia e na gestão para a futura retomada das obras dos Hospitais Regionais no Estado”, escreveu Zema no Twitter.


Romeu Zema também ressaltou que o estado "tem um dos melhores resultados no enfrentamento ao coronavírus graças à responsabilidade da gestão" de Amaral.

Permanência durou pouco

Em reunião a portas fechadas na manhã desta quinta, o governador optou pela permanência do médico no cargo de confiança. A própria assessoria de comunicação da SES confirmou isso.

Porém, ele desidratou no cargo após abertura da CPI fura-filas na ALMG. Dos 77 deputados estaduais, 39 assinaram o requerimento, que foi aceito pelo presidente da Casa, Agostinho Patrus (PV), logo em seguida.

Publicamente, Zema cobrava a investigação sobre a vacinação pelos órgãos internos do estado. Ele também pediu esclarecimentos da pasta à população.

Uma tentativa disso aconteceu na tarde desta quinta, quando o ex-secretário de Saúde concedeu entrevista coletiva a jornalistas na Cidade Admnistrativa, em BH.

"Não vejo nenhum ilícito e nenhuma imoralidade na vacinação das secretarias estadual e municipais de saúde", disse.

O médico também afirmou que todos os servidores imunizados tiveram seus dados notificados ao Ministério da Saúde.

Em entrevista coletiva, o secretário de Saúde detalhou as áreas da secretaria cujos funcionários receberam as doses.


Fazem parte desse grupo o gabinete do secretário, assessorias da SES, subsecretarias, pessoas responsáveis pelo transporte de suprimentos, trabalhadores da Rede Frio (onde as ampolas são armazenadas), almoxarifado e trabalhadores das unidades da Farmácia de Minas.

Trajetória

Carlos Eduardo Amaral substituiu o médico Wagner Eduardo Ferreira no comando da Saúde estadual em fevereiro de 2019. Ele foi candidato a deputado federal pelo Novo em 2018, mas perdeu. A troca ocorreu por questões de saúde do primeiro escolhido para a pasta.

O ex-secretário é neurocirurgião de Juiz de Fora, na Zona da Mata, desde 1996. Na mesma cidade, foi professor da universidade federal local.

Médico de carreira da rede Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), tem MBA em Gestão de Negócios e Gestão de Saúde e Segurança do Paciente. Também foi presidente da Sociedade Mineira de Neurocirurgia.


Fonte: Estado de Minas

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