Ginecologista, Marcela Mc Gowan critica argumento de Bolsonaro para vetar distribuição de absorvente


O tema “pobreza menstrual” entrou em discussão após o presidente da República, Jair Bolsonaro, vetar a distribuição gratuita de absorventes íntimos. A ginecologista e ex-BBB Marcela Mc Gowan conversou sobre o tema com o g1.


A decisão afeta estudantes de baixa renda e mulheres em situação de rua ou de vulnerabilidade extrema. O veto foi publicado no Diário Oficial da União desta quinta-feira (7).

Um dos argumentos usados por Bolsonaro foi que o absorvente não está na lista de itens essenciais do Sistema Único de Saúde (SUS). Marcela Mc Gowan rebateu o presidente e afirmou que é preciso entender a realidade das outras pessoas. “Pra ele [Jair Bolsonaro] não deve ser [um item essencial], realmente, porque é um homem que não menstrua. É óbvio que é um item essencial. Fazer a contenção do sangue de uma maneira higiênica, que te permita ocupar os espaços sociais, é um item básico. Inclusive, aqui no Brasil, é taxado como se não fosse um item básico, é taxado como um item de luxo”, disse a ginecologista. “Eu sei que, para algumas pessoas, R$ 4 ou R$ 5 num pacote de absorvente não é nada. Mas, para uma pessoa que passa fome, R$ 5 é um dinheiro muito expressivo. Não é um dinheiro que todo mundo tem. A gente precisa furar a nossa bolha e entender que, pra mim, pode parecer um absurdo e que R$ 4 num pacotinho não é nada. Mas, para quem passa fome, é [escolher] entre comer ou comprar absorvente”, completou a ex-BBB. Consequência na saúde “Pode aumentar o risco de infecção, tanto urinária quanto vaginal. Se o sangue fica parado em um lugar durante muito tempo, ele é uma fonte de proliferação de bactéria, de microrganismos. É arriscado. Quando a gente tem absorvente, a gente tem um sistema de absorver. Tem até tempo de troca, deve ser feito. Reaproveitar absorvente, por exemplo, é perigoso”, disse Marcela. Impacto no desenvolvimento pessoal “A gente precisa olhar a sociedade, não como as mulheres como um subgrupo dos homens, de igual para igual. São necessidades diferentes a serem atendidas. Tudo que a gente fizer para dificultar a vida de uma mulher vai impactar nela em todos os níveis possíveis, na educação é um deles. Se você falta à aula, você tem menos acesso à educação e, futuramente, vai ter um impacto nisso”, disse a médica.


Fonte: G1

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