Funcionários reclamam que demissões no HC durante a pandemia continuam



Centenas de enfermeiros e técnicos de enfermagem voltam a reclamar da forma como estão sendo demitidos pelo Hospital das Clínicas desde agosto deste ano, quando um primeiro grupo foi dispensado do trabalho com pacientes de Covid-19 no Instituto Central, em São Paulo. Nesta semana, segundo relatos de funcionários, cerca de 100 outros profissionais de saúde também foram desligados.


O hospital nega demissões em massa e afirma que as 1.800 contratações temporárias feitas para enfrentar a fase mais aguda da pandemia do coronavírus em São Paulo terminaram em setembro. (leia mais abaixo).

De acordo com um enfermeiro demitido, outros 50 colegas foram desligados na segunda-feira (28), mais 30 foram demitidos na terça-feira (29). "Outros 30 foram afastados também, de forma definitiva, nesta quinta-feira [1º]."

Segundo uma técnica de enfermagem desligada nos últimos dias, o hospital não agiu com clareza no ato da contratação. "Uma das pessoas responsáveis pela nossa relação com o departamento de recursos humanos sempre nos deixou claro que nossas vagas não eram temporárias. Eu, por exemplo, fiz o processo seletivo em setembro [do ano passado], muito antes da pandemia. Assim como eu, outros colegas também foram contratados em processo de entrevistas feitas há um ano e foram demitidos." Uma enfermeira que foi contratada no mesmo período, mas que ainda está trabalhando no hospital, disse que as recentes demissões estão afetando a qualidade de atendimento de quem permanece na unidade. "Com todas essas dispensas, os trabalhadores que estão atendendo já estão ficando sobrecarregados. E isso porque o Hospital das Clínicas não está cheio."

Em nota, o Hospital das Clínicas "reafirma que não está realizando demissões em massa" e disse que o "quadro de 21.000 funcionários, nos oito institutos que compõem o complexo, segue ativo."

Ainda segundo o texto, o HC afirmou que "desde o início da pandemia, foram cerca de 1.800 contratações de diversas especialidades para o enfrentamento da Covid-19. Algumas eram vagas temporárias, feitas como para um hospital de campanha, para enfrentar a fase mais aguda da crise. Ainda assim, com o apoio da SES, serão mantidas 1.140 colaboradores dessas vagas para seguir no enfrentamento da pandemia."

O Hospital das Clínicas informou também que atendeu mais de cinco mil pacientes graves de Covid-19 durante a pandemia "e reconhece o empenho de todos os colaboradores, de seu quadro regular ou temporário, nesse esforço para salvar vidas." Demitidos Em agosto, segundo os empregados, grupos de 40 profissionais foram chamados para uma reunião no auditório e foram avisados que estavam demitidos. "Não explicaram o motivo, apenas tomamos o susto. No caso, me preparava para trabalhar, outros colegas tinham acabado de sair de uma jornada inteira de plantão atendendo pacientes de Covid-19", disse uma das enfermeiras demitidas.

À época, o Hospital das Clínicas disse que "não está realizando demissões em massa e o quadro de 21.000 funcionários, nos oito institutos que compõem o complexo, segue completo."

Em agosto, alguns enfermeiros e técnicos de enfermagem disseram que foram selecionados no final de 2019, quando não havia pandemia de Covid-19. Outros afirmaram que foram selecionados sem contrato temporário e que chegaram a passar pelo período de experiência e receberam e-mail corporativo pedindo que escolhessem o período que gostariam de tirar as férias. Referência para Covid-19 O Hospital das Clínicas de SP é o maior centro de referência para o tratamento de Covid-19 na capital, chegando a ter no auge da pandemia 900 leitos de internação para a doença, 300 deles leitos de UTI.

No início do enfrentamento do coronavírus, em março, chegou a ter 92% das UTIs ocupadas e teve que expandir a oferta de leitos para atender a demanda crescente de pacientes, fazendo parceria até com hospitais particulares para elevar a oferta de leitos aos infectados com a Covid-19. Atualmente, o hospital tem 200 leitos de UTI ativos com 50% de ocupação com pacientes com a doença. Em nota, a direção do HC diz que "com o apoio da SES [Secretaria Estadual de Saúde], serão mantidas 600 dessas vagas para seguir no enfrentamento da pandemia. O Hospital das Clínicas já atendeu mais de 4.000 pacientes graves de Covid-19, e reconhece o empenho de todos os colaboradores, de seu quadro regular ou temporário, nesse esforço para salvar vidas."

Apesar disso, os funcionários demitidos informaram que não receberam cartas de recomendação, mesmo depois de terem recebido retorno técnico de que realizaram bom trabalho durante o período em que atuaram na pandemia.

Uma das enfermeiras demitidas disse que não foi selecionada para atuar em hospital de campanha. "Trabalhei na UTI de pacientes com Covid-19, no prédio sede do HC, não trabalhei em hospital de campanha. Quando terminei o período de três meses de experiência recebi um feedback positivo sobre meu trabalho, mas em menos de um mês fui demitida."

A forma com ocorreram as demissões também deixou os trabalhadores da área da saúde chateados. "Eu trabalhei a madrugada toda na UTI do HC, com pacientes com Covid-19 e, no fim do expediente, na hora de ir embora, fomos todos chamados para uma reunião no auditório.


Chegando lá, ainda de jaleco, cerca de 40 profissionais foram avisados que estavam demitidos. Já tinha um RH montado no local e os documentos de demissão para assinarmos", disse uma técnica de enfermagem que não quis se identificar.

Ela reclama que deixou de aceitar outra proposta de trabalho em outro hospital por considerar que estava fazendo um bom trabalho no HC. "Pesa no currículo ter trabalhado no Hospital das Clínicas, ainda mais durante uma pandemia. Como nunca me avisaram que era contrato temporário, continuei no HC."

Outra profissional demitida informou que no ato da entrevista, em abril deste ano, ela chegou a perguntar se a vaga era temporária ou não. "A resposta foi que não era temporária, isso deu confiança, pois eu precisava de uma garantia de possibilidade de permanecer no emprego, precisava de um trabalho fixo, estou em começo de carreira e preciso dessa estabilidade."

Alguns demitidos informaram que estão consultando advogados para tentar reaver os empregos, pois, segundo eles, "não há menção de contrato temporário, com prazo de validade nos documentos da admissão", disse uma das enfermeiras demitidas.


Fonte: G1

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