Franceses protestam pela sexta semana seguida contra restrições a não vacinados


Pela sexta semana seguida, milhares de franceses foram às ruas neste sábado (21) para protestar contra o passaporte sanitário, o mecanismo de controle implementado pelo governo Macron para restringir o acesso a ambientes fechados a quem está completamente imunizado contra a Covid-19 ou apresenta um teste negativo para a doença.


As manifestações se repetiram de norte a sul do país em tom pacífico, reunindo pessoas de diferentes tendências políticas em torno da indignação contra o controle da circulação e o que chamam de “vacina obrigatória”.

"Tome a vacina se quiser, mas somos contra um passaporte para entrar no hospital ou para ir às compras, exigimos a revogação da lei", discursou uma das figuras emblemáticas do movimento dos "coletes amarelos", Jêrome Rodrigues em Pau, cidade na região dos Pirineus franceses, diante de 2.700 manifestantes.

Ao norte, em Lille, o protesto reuniu 3.200 pessoas, na contagem oficial, e era encabeçado por uma faixa com os dizeres “Tiremos Macron, com seu passaporte e suas reformas estúpidas”("Dégageons Macron avec son pass et ses réformes à la con", em francês). Contra o passaporte sanitário Os manifestantes tentam pressionar o governo de Emmanuel Macron, que neste momento restringe o acesso a restaurantes, cinemas, bares e até trens de longa distância a pessoas completamente imunizadas ou com um teste negativo para a doença. O teste, feito hoje de maneira gratuita, passará a ser cobrado nos próximos meses para quem não tiver um pedido médico.

Participando do protesto em Paris, Monique Bourhis, "não vacinada" aos 75 anos, disse não ser contra a vacina, “estou esperando a francesa". O país, até o momento, tem adotado as vacinas da Astrazenec, Pfizer e Moderna. Doutor Raoult De acordo com a polícia, as maiores manifestações aconteceram em Marseille, com 9.500 pessoas, e em Toulon (6.000). Houve ainda 4.100 manifestantes em Estrasburgo, 3.400 em Bordeaux e Toulouse, 3.000 em Bayonne, 2.500 em Nice, 2.300 em Nantes e 2.000 em Caen.

Em Paris, os manifestantes foram divididos em quatro protestos, dois deles iniciados por grupos de "coletes amarelos" e um por Florian Philippot, líder do partido de extrema direita "Patriotas".


Na marcha conduzida por Philippot, o nome do médico Didier Raoult, ferrenho defensor do uso da hidroxocloroquina contra a Covid-19, foi ovacionado muitas vezes.

Em apoio ao médico que segue apoiando o uso da hidroxicloroquina, apesar de numeoros estudos mostrarem sua ineficácia contra a Covi, muitos manifestantes em Paris e em Marselha carregavam faixas “Não toquem em Raoult”.

Nesta semana, o diretor dos Hospitais de Marselha afirmou que Raoult, que trabalha no Instituto do Hospital Universitário de Marselha, não deve manter seu mandato na direção da instituição.


Aos 69 anos, o pesquisador será obrigado a se aposentar de seus trabalhos universitários. “Vacina para quê?" Em Bordeaux, no sudoeste da França, manifestantes entoavam o slogan "não toquem em nossos filhos". Entre os manifestantes, pais e avós preocupados com a extensão da vacinação a crianças menores de 12 anos --o que ainda não tem previsão do governo para acontecer. Desde junho, os adolescentes entre 12 e 17 anos podem ser imunizados contra a Covid-19. Até o momento, 55% desse grupo já tomou ao menos uma dose da vacina.

Entre a população geral da França, 70% já tomou ao menos uma dose do imunizante, e 55% está completamente vacinada.


Fonte: G1

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