Fora dos hospitais pela pandemia, doutores palhaços criam 'delivery besteirológico' na internet


 
 

Fora dos hospitais devido ao risco de contaminação pelo novo coronavírus, que já matou 2.247 pessoas em São Paulo até esta quarta-feira (29), organizações não-governamentais que levam diversão aos doentes passaram a divulgar vídeos nas redes sociais e em de grupos de mensagens com entretenimento e educação, para continuar atendendo pacientes e seus familiares mesmo durante a pandemia. O serviço foi apelidado de "Delivery Besteriológico".


A organização "Doutores da Alegria" (https://doutoresdaalegria.org.br/) vai assinar uma parceria com diversos hospitais públicos e privados de São Paulo para que os vídeos também sejam exibidos nas redes internas de comunicação das entidades e disponibilizados aos médicos e pacientes em celulares ou em outros dispositivos eletrônicos, segundo afirmou ao G1 o diretor artístico da ONG, Ronaldo Aguiar. "O paciente está em um ócio maior e o profissional de saúde, em um momento deliciado, de estresse e ansiedade frenéticos. Buscamos levar um pouco de empatia neste momento, um pouco de alívio quando está todo mundo aprendendo ainda a lidar com a situação", diz Aguiar. Já a organização Operação Conta Gotas (veja a página da ONG no Facebook), que surgiu na década de 90 formando "Doutores Palhaços, especialistas em Sorrisologia", além de divulgar vídeos nas redes sociais também passou a fazer atendimentos individuais por chamadas de vídeo ou com troca de mensagens eletrônicas com quem precisa de apoio neste momento. "Está tudo em nosso subconsciente, inclusive a cura. Para nós, é difícil ficar fora dos hospitais neste momento, mas necessário", diz a enfermeira e terapeuta voluntária Juliana Souza, de 40 anos, mais conhecida como a palhaço "Doutora Merolhas Pra ti" (é assim mesmo, "merolhas",escrito errado). "O ambiente hospitalar hoje está um caos, desgastado, sofrido. É uma coisa muito diferente estar no hospital como enfermeira e estar como doutora palhaço. As duas formas ajudam, curam. Quando estou no hospital como enfermeira, eu tenho que lembrar o paciente da doença, que ele tem que cuidar daquilo. Já como médica palhaço é o contrário, o objetivo é fazer o doente esquecer o que sente, sair daquele mundo mentalmente", conta a enfermeira.

A personagem "Doutora Merolhas Pra ti" surgiu em 2015, quando Juliana fez o curso de um ano da ONG para poder prestar trabalhos voluntários em hospitais, muitos deles em UTIs, e também em asilos.

"Estamos trocando mensagens e realizando atendimentos por vídeo e chamadas com pacientes com Covid e seus familiares. É uma situação nova, ainda estamos nos adaptando, e divulgando vídeos que os ajudem a suportar a agonia do momento", salienta Juliana.

"Todo o trabalho é feito, agora, de casa, porque também estamos em isolamento", diz o presidente da ONG Operação Conta Gotas, o "especialista em sorrisologia" Sandro Castilho. Já a ONG Doutores da Alegria está firmando parceria com vários hospitais paulistas, entre eles o Hospital Universitário da USP, Hospital das Clínicas, Hospital Santa Marcelina e outros hospitais públicos como M' Boi Mirim, na Zona Sul da capital paulista, para que seus vídeos de entretenimento sejam divulgados nas redes de comunicação internas das entidades e também em grupos dos profissionais de saúde. "Desde 17 de março, quando tivemos que sair do hospital, foi uma dor, uma dificuldade. Estamos nos adaptando, mudando os procedimentos. O palhaço, o artista, é treinado para a interação presencial. Para nós, fazer a doação desta alegria por vídeos agora, já que muitas vezes não podemos ter acesso aos pacientes, é uma novidade", diz o diretor artístico da Doutores da Alegria, Ronaldo Aguiar. "É um alivio, um respiro, este pouco de alegria que tentamos levar até eles através da programação que chamamos de 'Delivery Besteriológico': são vídeos semanais, esquetes, para sorrir um pouco no meio de tudo o de ruim que está acontecendo", salienta Aguiar.


Fonte: G1

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