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Filhos com DNA de 3 pessoas? No Reino Unido e na Austrália já é possível



Uma lei aprovada pelo senado da Austrália em março deste ano fez daquele país o segundo do mundo a legalizar um procedimento de reprodução assistida feito com o DNA de três pessoas. A técnica é realizada para impedir que alguns casais possam gerar filhos com distúrbios debilitantes causados por mitocôndrias defeituosas. Até então, o método só era permitido no Reino Unido.


Conhecida como Lei de Maeve, a lei que reformou a legislação existente sobre doação mitocondrial recebeu esse nome em homenagem a uma garota australiana de seis anos que sofre de um distúrbio mitocondrial severo chamado síndrome de Leigh. A doença resulta em perda de habilidades mentais e motoras ao longo da vida, que é normalmente muito curta, não ultrapassando a infância.


A lei recém-aprovada permitirá que o material genético de uma terceira pessoa possa ser usado para substituir as mitocôndrias, para evitar que um bebê herde doenças genéticas mitocondriais dos pais.

Como é possível um bebê ter três pais?

Para se compreender a ideia de bebês com três pais, é preciso saber que, para existirmos no mundo, a coisa não se resume àquele DNA de dupla hélice que forma os 23 pares de cromossomos presentes no núcleo de cada uma de nossas células. Nas células, existe também DNA que é estocado em pequenos compartimentos (organelas) chamados mitocôndrias.


Esse é um tipo de DNA funcional – mtDNA – que é às vezes chamado nas aulas de Biologia de usina de força das células e, de fato, tem que estar em todas elas, inclusive em óvulos e espermatozoides, para fornecer energia.


Só que, diferentemente do DNA nuclear, esse composto orgânico conhecido como mtDNA não resulta da combinação de DNA masculino e feminino. Como, durante a fecundação, as mitocôndrias do espermatozoide são degradadas, essas organelas celulares são herdadas apenas da mãe.

A substituição mitocondrial

Da mesma forma que ocorre com o DNA nuclear, o mtDNA também pode apresentar mutações que podem causar doenças graves e degenerativas, além de poder tornar infértil a mulher portadora da mitocôndria defeituosa. Além disso, as doenças mitocondriais são hereditárias, o que significa que, se os pais recebem o diagnóstico, certamente os filhos terão a doença.


É aí que entra em cena a substituição mitocondrial que, se não chega a ser um transplante de órgãos, é um transplante de organelas. A técnica consiste em uma fertilização in vitro (FIV), na qual o médico cria um embrião que combina materiais genéticos do pai e da mãe com o de uma mulher doadora de mitocôndrias saudáveis.


Quanto à dúvida sobre se a doadora se tornaria um terceiro progenitor, essa é uma questão controversa, uma vez que bebê teria apenas 0,1% do DNA dela, o bastante para torná-lo saudável e evitar que a doença se replique nas gerações futuras.


Fonte: Tecmundo

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