Filha e neto são vacinados contra Covid nos EUA enquanto idosa ainda espera imunizante no Brasil


A maioria dos países no mundo iniciou a vacinação contra a Covid-19 pelo público de maior idade, mas a diferença na velocidade da campanha de imunização fez com que filha e neto, de 37 e 18 anos, fossem vacinados nos EUA antes do que a avó, de 60 anos, moradora de Santa Isabel, na Grande São Paulo.

Há pouco mais de dois anos Daniele O'Hearn Ávila mudou-se para a cidade de Toledo, no estado de Ohio (EUA), após se casar com um americano. Pouco tempo depois, o filho Daniel Ávila Bontempo, de 18 anos, foi morar com ela.

A vida nova foi impactada meses depois pela pandemia, mas a mudança de país significou um salto na fila de espera pela vacinação contra o novo coronavírus.

"O começo da pandemia aqui foi tão difícil quanto nos outros lugares do mundo. Muita coisa fechando, a vida dentro de casa. Mas agora a situação está bem melhor e com certeza é por conta da vacinação. A gente já pode ir para restaurantes, todos os serviços funcionando. Mas quando eu vejo a situação do Brasil eu fico triste", conta. Neste domingo (9) mãe e filho vão tomar a segunda dose da vacina, exatas três semanas depois de recebem a primeira dose do imunizante da Pfizer. Em seguida, a família vai comemorar o Dia das Mães em um restaurante. "A gente está vivendo um sentimento de liberdade. É estranho, mas é como se só agora eu pudesse ser livre aqui. Com pouco tempo que cheguei, a pandemia começou. Mas já voltei para a escola em sistema híbrido. Agora a gente fica mais preocupado com quem está aí no Brasil, porque a minha avó ainda não tomou. Imagina quando a minha mãe e eu tomaríamos a vacina se estivéssemos no Brasil", ressalta Daniel. A avó de Daniel é a dona de casa Maria de Fátima Barreto Ávila, de 60 anos. Ela alimenta a expectativa de esta semana receber a primeira dose do imunizante. "Essa vacina vai nos ajudar demais. Eu fiquei mais dentro de casa, só saí mesmo quando precisava ir ao mercado, resolver coisas que são assim mesmo, dependem da gente, mas também com medo", conta. Quando soube que a filha e o neto já seriam imunizados, Maria diz ter ficado muito feliz. "Ela me ligou e disse que já iria tomar. Está demorando bastante para chegar a minha vez, mas a gente tem que ter paciência. Pelo menos eu fiquei muito feliz por eles, porque eles são mais jovens e já tomaram. Agora os meus filhos e netos que estão aqui vão ter que esperar muito", ressalta. Velocidade de campanha A campanha de imunização contra a Covid-19 nos Estados Unidos teve início em 14 de dezembro. No Brasil ela começaria pouco mais de um mês depois, em 21 de janeiro.

Foram necessários pouco mais de quatro meses para que toda a população americana acima de 16 anos fosse liberada para receber as doses.

Nesta semana, no estado de São Paulo, a imunização chegou aos grupos a partir de 60 anos. O governo federal diz que a vacina chegará a todos os brasileiros até o final do ano.

Em entrevista à TV Diário, o médico sanitarista e ex-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gonzalo Vecina Neto, disse que pelo desempenho do país na compra de imunizante, a cobertura total deve ocorrer apenas em fevereiro de 2022.

Segundo o Departamento de Censo dos EUA, a população do país era de 382,2 milhões de pessoas em 2019. No Brasil, neste mesmo ano, a população era de 211 milhões. A população americana é 45% maior do que a brasileira.


Fonte: G1

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