Faltam medicamentos e profissionais nas principais emergências da rede municipal de saúde do Rio

A reportagem do RJ2 percorreu as maiores emergências da rede municipal de saúde do Rio e verificou que faltavam medicamentos e profissionais de saúde. Ao todo, 7 hospitais, coordenadorias regionais e UPAs foram visitados neste sábado (7) em todas as regiões da capital.

Foram ouvidos relatos de dezenas de pessoas que tentam conseguir socorro, mas não sabiam a quem recorrer.

A crise na saúde do Rio não diferenciava modelos de gestão. A reportagem encontrou falhas em unidades administradas por OSs, por empresas públicas ou com servidores concursados.

No Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, familiares de pessoas com traumas e outros ferimentos que necessitavam de cirurgia disseram não ter conseguido atendimento no local por falta de médicos.

Dentro do hospital, mesmo quem conseguiu ser atendido enfrentava condições precárias. Havia até acompanhante que precisou fazer curativos em pacientes.

“Eu tinha enfartado. Aí fiquei aguardando o cateterismo. Foi marcado para o dia 27 de outubro, só que não teve médico para me acompanhar”, diz a paciente Fabiana de Freitas. “Eles dizem que agora estou jogando com a sorte.”

A mãe de Ingrid Rocha dos Santos está internada há três meses no hospital. “Hoje eu chequei aqui e ela estava com o pé amarrado. Não falava, não respondia. Eu fui procurar ajuda. Quando voltei, ela estava gelada.”

Adriana da Silva Rocha morreu no fim da tarde. Ela tinha 54 anos e sofria com problemas nos rins. Segundo a família, estava sem fazer hemodiálise.

No Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, Zona Oeste, as reclamações eram as mesmas. Os pacientes se queixavam de demora no atendimento e falta de médicos.

A falta de médicos também era um problema no Hospital Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. As pessoas que procuravam ajuda estavam voltando para casa sem conseguir uma consulta.

No Albert Schweitzer, em Realengo, depois que funcionários fizeram uma greve nesta sexta-feira (6) e fecharam as portas do hospital por uma hora, o sábado foi pouco movimentado. A unidade estava aberta, mas apenas dois pacientes buscaram atendimento pela manhã.

Enfermeiros, técnicos e auxiliares disseram que a falta de pagamento dos salários de outubro e novembro tornou a situação insustentável.

A aposentada Marlene Pedrosa levou seu pai a dois hospitais antes de chegar ao Salgado Filho, no Méier, Zona Norte. Irineu Pedrosa tem dificuldade para se locomover por causa da saúde comprometida. Chegando ao hospital, também não teve sucesso.

Quem foi atendido, também sofria. A mãe de André Luiz Pereira estava em uma maca desde quinta-feira (5), quando foi internada. “Ela está, entre aspas, largada”, disse.

Na Coordenação de Emergência Regional do Centro (CER Centro), os problemas se repetiam. Havia infiltrações no teto vazando água já na recepção. Apesar de todos os leitos estarem ocupados, apenas metade dos médicos e enfermeiros estava trabalhando. Também faltavam aparelhos para exames e medicamentos.

Na tarde deste sábado, a Comissão de Saúde da Câmara dos Vereadores fez uma vistoria na unidade e constatou que faltavam profissionais de saúde e condições de trabalho.

No Hospital Miguel Couto, no Leblon, Zona Sul, muita gente que chegou buscando atendimento saiu sem saber para onde ir. A grande reclamação era a falta de médico.

“Já fomos no Getúlio Vargas, já fomos no Souza Aguiar, já fomos na UPA que é perto de casa no PAM de Irajá, já viemos aqui. Não tem médico, a clínica da família está fechada. tá em greve. É muito complicado. A gente vai correr para onde se a gente não tem condições de botar ela em um hospital particular?”, disse Raquel Costa da Silva, que tentava encontrar atendimento para a mãe, Salete.

O que diz a Prefeitura

A Secretaria Municipal de Saúde respondeu que todas as unidades estão de portas abertas priorizando os casos mais graves.

Sobre o pagamento de funcionários com salários atrasados, a Prefeitura disse que o caso está na Justiça. E que os sindicatos se comprometeram a manter metade dos trabalhadores nas unidades. Mas a Prefeitura não disse quando vai pagar o que deve a eles.

Sobre as unidades administradas diretamente pelo município, a Secretaria de Saúde disse que existe um aumento no movimento, mas que todos estão de portas abertas.

Veja a íntegra da nota enviada pela Prefeitura:

“A Secretaria Municipal de Saúde deixa claro, em primeiro lugar, que:

– TODAS as unidades seguem de portas abertas, funcionando com classificação de risco, priorizando o atendimento aos casos mais graves e urgentes – como é praxe em hospitais de urgência e emergência; Reiteramos: TODAS;

– sobre os pagamentos, o caso está judicializado e, em audiência com o TRT, os sindicatos se comprometeram com a Justiça a manter 50% do efetivo;

– as direções das unidades cobram esse efetivo e fiscalizam se o acordo está sendo cumprido por parte do sindicato;

– apesar do aumento do movimento, as unidades administradas diretamente pela Prefeitura, como Salgado Filho e Souza Aguiar, também continuam de portas abertas;

– no caso do Pedro II, o repórter Chico Regueira entrevistou ao vivo no RJ1 vários parentes de pacientes e TODOS disseram que os pacientes estavam dentro do hospital sendo atendidos; ou seja, o tempo para atendimento NÃO impediu que esses mesmos pacientes fossem atendidos;”

Fonte: G1

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