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'Facada no coração': por que a traição pode causar dor física, insônia e até depressão



"Dor impossível de explicar." A frase no texto de Luísa Sonza não é metáfora: psicólogos e psiquiatras ouvidos pelo g1 afirmam que a descoberta da traição em um relacionamento pode causar um trauma agudo capaz de provocar vários sintomas físicos, desde dores no peito, ansiedade e até insônia ou mesmo episódios de crise do pânico.


“Nosso físico e o nosso mental estão juntos. Há situações que são tão impactantes que nos impedem de pensar e dar um significado, a gente joga para o corpo e aí então dói. Por isso a gente usa termos como 'foi uma facada no coração' ou 'é um soco no estômago', porque são sensações que parecem ser exatamente como dito”, explica Renata Bento, psicanalista e psicóloga. Em sintonia com os demais especialistas, Marina Simas de Lima, doutoranda e mestre em psicologia clínica, lembra que cada pessoa traída sente de um modo o fardo, mas que para muitos há o desgaste físico. "Tem uns que ficam muito putos da vida, agressivos. Tem outros que deprimem, que ficam desesperados. É uma situação como se fosse um luto, vem uma questão física, de ficar sem chão de não conseguir dormir, de não conseguir comer", afirma Marina. Luto, pânico e mais sintomas O psiquiatra Saulo Ciasca lembra que a pessoa traída pode deprimir, pode ter ataques de pânico, insônia e até, em casos extremos, cogitar se matar e se machucar para conseguir o amor de volta, em um quadro de dependência emocional. "O mais comum é a insônia, a sensação de angústia, perder apetite e não conseguir mais se concentrar no trabalho e nos estudos", diz o psiquiatra Saulo Ciasca. A médica psiquiatra Nina Ferreira explica ainda que a origem desse sofrimento nas traições está no rompimento do lugar seguro e estável do amor incondicional, onde os parceiros na relação sentem que é possível ser você mesmo sem medo e ainda receber afeto e carinho.

"Quando ocorre a traição, é como se fosse um rompimento, um luto desse ideal de afeto estável e seguro. (Envolve) angústia, insegurança, ansiedade e raiva. É realmente um trauma agudo, digamos assim, para o cérebro naquele momento", afirma Nina. Do ponto de vista biológico, é ele que vai comandar as reações e por isso veremos sintomas físicos, de acordo com a especialista. "Sempre que o cérebro tiver uma dor, vai de alguma forma impactar no resto do organismo por questões de comunicação bioquímica, de neurotransmissores, de hormônios e estímulos neuronais", afirma Nina Ferreira. Ajuda profissional Nina aconselha que seja considerada ajuda médica caso o sofrimento estiver muito intenso. "Depois de 15 dias, se a vida e o mundo interior estão muito bagunçados, muito sofrido, é importante buscar ajuda médica para avaliar essa saúde física e mental e orientar. Não necessariamente vai haver tratamento medicamentoso ou algum procedimento, mas orientações técnicas bem direcionadas vão ajudar aquele trauma agudo", explica a médica. Além do psiquiatra, os psicólogos são profissionais de referência no tema. Eles podem ser acionados até mesmo para que o casal possa avaliar se há possibilidade de superar o trauma ou se a separação é mesmo o caminho a ser seguido.

“Geralmente para as pessoas que têm filhos, (a terapia de casal é mais procurada e) faz diferença, ajuda a separar de um jeito melhor, para não ficar uma coisa abrupta e mesmo para repensar, né? Essa é melhor decisão?”, explica a psicóloga Marina de Lima. “Aquele até que a morte nos separe hoje é muito raro, né? É enquanto dure”, define Marina. Impacto da traição masculina A psicóloga e mestra em psicologia da saúde Natália Marques aponta ainda que há uma carga extra sobre as mulheres nestes ciclos de infidelidade. "A traição masculina por mais que seja julgada, ela é muito mais aceita socialmente. A monogamia sempre foi imposta para as mulheres, para os homens não", avalia Natália Marques.

"Muitas vezes, uma traição pode reativar outras vivências traumáticas. É preciso lidar com uma exposição, e além de tudo eu vou me preocupar também com o julgamento que recebo da sociedade", lembra Natália. Nem todo mundo precisa de terapia O psiquiatra Saulo Ciasca afirma que nem todo mundo que perdeu um relacionamento precisa de terapia. Como primeiros passos, indica que é preciso “tentar se conectar com pessoas, nos ambientes adequados".

"O processo de cuidar de si envolve cuidar do outro. Procurar por amigos, família, trocar, não ficar sozinho é muito bom, você se conecta e investe afetivamente em outras pessoas. Invista em afetos autênticos", aconselha Ciasca.


Fonte: G1

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