'Estou enxergando o pico do Everest. Estamos apavorados', diz secretária da Saúde do RS



A secretária da Saúde do Rio Grande do Sul, Arita Bergmann, alertou para o risco de esgotamento do sistema de saúde do estado no combate ao coronavírus. A manifestação foi feita, nesta quinta-feira (25), durante a reunião do governador Eduardo Leite com prefeitos para tratar do sistema de cogestão - que autoriza os municípios a adotarem medidas mais brandas em relação às bandeiras impostas pelo estado.


A titular da pasta afirmou enxergar "o pico do Everest", em menção à situação da pandemia no RS. "Eu já estou enxergando o pico do Everest. Estamos aqui apavorados", afirmou. Diante dos dados apresentados, o governador Eduardo Leite sugeriu suspender o modelo de cogestão por uma semana, começando pelo sábado (27) até o domingo (8). O chefe do Executivo se disse decidido, mas que iria aguardar a manifestação dos prefeitos para sacramentar a decisão. "A minha decisão é pela suspensão da cogestão. Eu vou ouvir os prefeitos, que, evidentemente, com seus argumentos, podem me convencer do contrário", disse. A reunião, iniciada pouco depois das 14h, ainda não foi encerrada. Além de Leite e de Arita Bergmann, já falaram o pesquisador Bruno Paim, do Comitê de Dados do governo estadual; o vice-governador e secretário da Segurança, Ranolfo Vieira Jr; e o presidente da Famurs, entidade que representa as prefeituras do RS, Maneco Hassen. Situação dos leitos A secretária da Saúde apresentou a evolução da ocupação de leitos clínicos e de UTI nas últimas semanas. No dia 24 de janeiro, o RS tinha 2.383 pessoas internadas com Covid-19. Já nesta quinta, o número era de 4.925 pacientes em hospitais, uma alta de 206% em pouco mais de um mês. No caso dos leitos críticos, os hospitais operam com 91,8% da capacidade máxima.

Segundo Arita Bergmann, se o ritmo atual for mantido, o RS pode ficar sem leitos para atender a demanda. "Não haverá leitos, especialmente de UTI, para atender a demanda, que é crescente. Crescente a ponto de nos deixar com uma lista de espera", explicou. A secretária da Saúde informou ainda que o estado acionou o último nível do Plano de Contingência Hospitalar, elaborado no início da pandemia, e solicitou aos hospitais o uso de todos os espaços possíveis para receber pacientes, diante da dificuldade de criar novos leitos de UTI. Eduardo Leite citou projeções do governo, que apontavam a necessidade de 7 mil vagas críticas para atender a todos.

"É absolutamente inviável", avaliou o governador. Vacinação Eduardo Leite falou da aquisição de vacinas por parte do governo estadual e das prefeituras. Segundo o governador, uma reunião já foi agendada com a Pfizer para negociar a compra de doses. Além disso, o RS estaria se juntando a outros estados para adquirir o imunizante russo, Sputnik V.

"Estamos buscando todas as frentes que forem possíveis", declarou.


Fonte: G1

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