Estilo de vida saudável aumenta em até uma década o tempo de vida sem doenças

As pessoas que adotam até cinco fatores de estilo de vida de baixo risco têm uma expectativa de vida sem grandes doenças crônicas significativamente maior aos 50 anos de idade em comparação às que não adotam nenhum fator de vida de baixo risco, dizem os pesquisadores.

A Dra. Yanping Li, Ph.D., médica, e colaboradores, analisaram dados de mais de 110.000 profissionais de saúde, mulheres e homens, que participaram de dois estudos divisores de águas, e estão reivindicando melhores políticas públicas de saúde a fim melhorar a alimentação e o ambiente de vida da população.

Os pesquisadores descobriram que as mulheres que adotaram quatro dos cinco fatores de estilo de vida de baixo risco tiveram uma expectativa de vida sem câncer, doença cardiovascular e/ou diabetes tipo 2 aos 50 anos de 10 anos a mais do que as mulheres que não adotaram nenhum fator.

E a pesquisa, publicada on-line em 08 de janeiro no periódico BMJ, indica que, para os homens, o ganho de expectativa de vida sem doença se aproximou de oito anos.

“Os resultados sugerem que a promoção de um estilo de vida saudável, ajudaria a diminuir os custos da saúde por meio da redução do risco de aquisição de várias doenças crônicas (…) e aumentaria a expectativa de vida sem doenças”, disseram os autores.

Fundamental para isso são “as políticas públicas para melhorar a alimentação e o meio ambiente, tornando-os propícios à adoção de um estilo de vida saudável, bem como as políticas e regulamentações pertinentes (p. ex., proibição de fumar em locais públicos ou restrições às gorduras trans)”.

Estudo amplia resultados anteriores

Uma enorme quantidade de estudos tem demonstrado nos últimos anos que o aumento da expectativa média de vida levou ao aumento da prevalência de doenças crônicas como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e câncer.

Embora os fatores de estilo de vida modificáveis, como o tabagismo, a atividade física, o consumo de bebidas alcoólicas, o peso e a alimentação, estejam relacionados com mudanças na expectativa de vida e na incidência de doenças crônicas, poucas pesquisas têm sido feitas sobre qual é a repercussão que as combinações desses fatores podem ter na expectativa de vida sem doença.

“Nosso estudo amplia os achados anteriores por avaliar com abrangência os cinco fatores de estilo de vida e as três principais doenças crônicas em conjunto, provendo estimativas mais amplas de longevidade e do número de anos vividos com e sem doença(s) em relação aos fatores de estilo de vida, isoladamente ou em combinação”, escreveram a Dra. Yanping, do Department of Nutrition, Harvard T.H. Chan School of Public Health nos EUA, e colaboradores.

Os autores avaliaram os dados de 73.196 mulheres que participam do Nurses’ Health Study entre 1980 e 2014, e de 38.366 homens que participam do Health Professionals Follow-Up Study, recrutados entre 1986 e 2014.

Todos os participantes preencheram questionários sobre variáveis clínicas, de estilo de vida e outras relacionadas com a saúde, e os pesquisadores excluíram as pessoas que já tinham diagnóstico de câncer, doença cardiovascular ou diabetes tipo 2.

A seguir, os autores criaram uma pontuação de estilo de vida saudável, baseada em cinco fatores:

  1. Alimentação, avaliada pelo Alternate Healthy Eating Index, com pontuação > 40% indicando uma alimentação saudável;

  2. Tabagismo (nunca vs. alguma vez);

  3. Atividade física moderada à intensa (≥ 30 minutos por dia);

  4. Consumo moderado de bedidas alcoólicas (5 a 15 g/dia para mulheres, 5 a 30 g/dia para os homens); e

  5. índice de massa corporal (18,5 a 24,9 kg/m2).

A pontuação de estilo de vida saudável variou de 0 a 5; para cada fator, as pessoas pontuavam 1 se preenchessem o critério de baixo risco de estilo de vida e, caso contrário, zeravam.

Ao longo do estudo, entre as mulheres, houve 2.270.411 pessoa-anos de acompanhamento e 21.344 mortes. Entre os homens, houve 930.201 pessoa-anos de acompanhamento e 13.039 mortes.

Aos 50 anos de idade, a expectativa de vida total aumentou proporcionalmente à pontuação de estilo de vida saudável, de 31,7 anos para 41,1 anos entre as mulheres e de 31,3 anos para 39,4 anos entre os homens.

A expectativa de vida sem câncer, doença cardiovascular e diabetes tipo 2 aos 50 anos de idade variou de 23,7 anos entre as mulheres que não adotaram fatores de estilo de vida de baixo risco a 34,4 anos entre as mulheres que adotaram quatro ou cinco fatores.

Entre os homens aos 50 anos de idade, a expectativa de vida sem câncer, doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2 variou de 23,5 anos entre os que não adotaram os fatores de estilo de vida de baixo risco a 31,1 anos para aqueles que adotaram quatro ou cinco fatores.

A análise revelou que as mulheres com quatro ou cinco fatores de estilo de vida de baixo risco ganharam 10,6 anos de expectativa de vida sem as três principais doenças crônicas em comparação com as mulheres que não adotaram nenhum dos fatores, enquanto os homens ganharam 7,6 anos.

O estudo é observacional, mas a mensagem provavelmente tem ampla aplicação

Indo mais a fundo em cada doença, os pesquisadores descobriram que quatro ou cinco fatores de estilo de vida foram associados a maior expectativa de vida sem câncer – vs. nenhum fator – de 8,3 anos para as mulheres e 6,0 anos para os homens.

Na doença cardiovascular, o ganho de expectativa de vida foi de 10,0 anos para as mulheres e 8,6 anos para os homens, e foi maior ainda para o diabetes tipo 2, de 12,3 anos para as mulheres e 10,3 anos para os homens.

A menor expectativa de vida sem nenhuma das três principais doenças foi observada entre os homens que fumavam pelo menos 15 cigarros por dia, e entre homens e mulheres obesos, com expectativa de vida sem doença ≤ 75% aos 50 anos.

Os autores reconhecem que o estudo foi observacional, com informações sobre os hábitos de estilo de vida dadas pelos próprios participantes e que a maioria dos participantes era formada por pessoas brancas e profissionais de saúde e, portanto, os resultados não podem ser generalizados.

“Mais estudos são necessários para replicar nossos resultados em outros grupos étnicos e raciais e em pessoas com outras profissões”, escreveram os autores.

“No entanto, os efeitos fisiológicos dos comportamentos insalubres provavelmente ocorrem em outras populações, e a relativa homogeneidade dos grupos do estudo em termos de escolaridade, saúde, atenção à saúde e nível socioeconômico reduz os fatores de confusão residuais e reforça a validação interna”, concluem os pesquisadores.

Fonte: Medscape

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