Escoliose pressiona coração e pulmão de menino em SP: 'Risco de morte'



O garoto Paulo Eduardo Biazon, de 11 anos, sofre com uma grave escoliose que comprime seu pulmão e o impede de respirar normalmente. Em entrevista ao G1 neste domingo (4), a mãe do menino, a dona de casa Joelma Gonçalves, de 37 anos, conta que, por dia, devido à deformação na coluna, ele tem ao menos seis episódios de crise de falta de ar.


Morador de São Vicente, no litoral paulista, Paulo nasceu com microcefalia e, devido a um suposto erro médico na hora do parto, também teve paralisia, conforme explica a mãe. Essa condição contribuiu para que a criança desenvolvesse a escoliose, que, segundo o Ministério da Saúde, ocorre quando a coluna se desvia para o lado e passa a apresentar deformação.

Dos seis anos de idade até agora, a situação do garoto piorou. A coluna dele passou dos 100 graus de curvatura, o que causa dor e comprime outros órgãos além do pulmão, como o coração. O caso dele é cirúrgico, conforme explica a mãe. “Eu ouvi do médico que, se ele passar dessa fase de idade, não poderá mais fazer a cirurgia”, afirma Joelma.

Desde o início do ano, a família tenta uma cirurgia no Hospital do Servidor Público, em São Paulo, onde Paulo faz o acompanhamento médico. O procedimento estava marcado para abril, no entanto, por medo do novo coronavírus, a mãe decidiu que não levaria o filho. Desde então, ela tenta remarcar, mas, até o momento, não conseguiu. Joelma tem medo que o filho espere por mais três anos, assim como ocorreu com as cirurgias que precisou fazer no quadril, realizada no ano passado.

“Ele não poderá fazer a cirurgia depois que passar dessa idade. Foi o que eu ouvi do médico. O desespero é esse, porque sabemos que vai ser uma coisa [cirurgia] demorada, e não podemos perder tempo. Ele está com insuficiência respiratória, fica roxo. Se eu deixá-lo na sala, não posso ir à cozinha, porque senão, quando eu volto, ele está roxo. Tenho que estar todo o tempo ao lado dele. Se ele tem falta de ar, preciso fazer uma manobra para ele poder respirar”, conta.

A mãe explica que, devido à condição em que se encontra, Paulo "corre sério risco de morte", e precisa urgentemente fazer a cirurgia para a correção da coluna. Segundo ela, o hospital não se recusa a atender, mas também não marca o procedimento, que é extremamente necessário para que o menino tenha qualidade de vida. “Não sei mais o que faço. Conversei com um médico e ele me disse que varia de R$ 100 mil a R$ 200 mil fazer o procedimento no particular. Eu sei que é um absurdo de caro, mas eu não tenho outra saída. Eu não vou esperar o pior acontecer. Se acontecer, não vou me perdoar nunca, não vou nem viver mais”, desabafa.

Agora, a família procura meios para levantar a verba necessária para fazer a cirurgia na rede particular, por meio de uma campanha nas redes sociais. Os interessados em ajudar podem entrar em contato diretamente com a mãe de Paulo.


Em nota ao G1, o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual de São Paulo (Iamspe) informa que a família de Paulo foi contatada para iniciar tratativas sobre as possibilidades e riscos da realização de procedimento cirúrgico durante a pandemia. O tratamento será conduzido em uma decisão conjunta com a família e o corpo clínico da equipe do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPE).

O HSPE esclarece que em nenhum momento negou atendimento ao paciente e que as cirurgias desmarcadas antes da pandemia da Covid-19 serão reagendadas, assim como os agendamentos de consultas ambulatoriais e exames que iniciaram em agosto.

O hospital aponta, também, que durante a pandemia, enquanto os atendimentos estiveram suspensos, todos os usuários foram orientados a procurar os serviços na rede credenciada, que ocorrem fora do ambiente hospitalar, mas o atendimento ambulatorial a pacientes portadores de patologias que exigem acompanhamento e tratamento específicos como diabetes ou câncer foi mantido, inclusive com a realização de exames e cirurgias de emergência. Já os casos de urgência foram encaminhados ao Pronto Socorro da unidade.

Importante ressaltar que cada caso cirúrgico eletivo vem sendo avaliado durante o período pandêmico. Neste caso em especial, o paciente apresenta comorbidades importantes como doença crônica cognitiva, paralisia cerebral e epilepsia, considerado extremamente complexo. O HSPE permanece à disposição dos familiares.


Fonte: G1

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