'Era muito sangue', diz técnica de enfermagem que ajudou a salvar menino baleado


 
 

No lugar certo, na hora certa. É assim que Iris Nicácio, de 36 anos, define a ida a uma loja de doces na manhã do domingo (30). O local era próximo ao bar onde o menino Heitor Souza, de 3 anos, foi baleado, em Senador Camará, na Zona Oeste do Rio.


Ao ouvir os gritos da criança, ela que é técnica de enfermagem, correu para o local e ajudou a socorrê-lo. “A princípio, fiquei com ele enquanto o tio tentava chamar uma ambulância para levar, mas depois vi que não ia dar tempo. Ele estava sangrando muito, era muito sangue e ele iria entrar em choque hipovolêmico (quando se perde muito liquido e sangue)”, diz ela que contou com a ajuda do irmão, Ivo Nicácio, de 38 anos para levar o menino para a UPA de Senador Camará. “Meu irmão pegou ele no colo, paramos um carro e levamos”, lembra.

No local, Heitor recebeu os primeiros socorros, mas foi transferido na sequência para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, onde foi operado. Como o tio da criança precisava avisar à mãe de Heitor sobre o ocorrido, Iris ficou no hospital acompanhando a criança e aguardando a família retornar.

A mãe de Heitor, Sara Souza, que deu à luz há 10 dias estava em casa e fez um agradecimento especial a Iris pelas redes sociais. “Assim como anjos são Iris e Ivinho, moradores da nossa comunidade que prestaram os primeiros atendimentos e correram com nosso pequeno Heitor ao hospital! Ação fundamental na recuperação do nosso príncipe. Muito obrigado a vocês dois. Que Deus abençoe e que nunca falte a vocês a solidariedade e a vontade de ajudar ao próximo! Gratidão da comunidade por vocês”, escreveu. Técnica está desempregada A experiência de mais de 10 anos como técnica de enfermagem foi fundamental para que Iris sentisse a gravidade do momento e corresse. “O que mais me chamou atenção foi a vozinha dele. No começo, ele gritava muito de dor. Depois, foi ficando fraquinho, gemendo baixinho. Acho que ele não iria aguentar se a gente não tivesse levado rápido. Sou muito grata a Deus por ter me permitido dar esse suporte a ele”, diz ela que está desempregada no momento. “Eu trabalhava na Casa de Saúde São José, que fechou no ano passado. Desde então estou desempregada, enviando currículo e tentando uma oportunidade na área”, diz Iris que, enquanto não consegue um novo emprego, vende bijuterias e maquiagem. “Agora é só torcer para o Heitor sair logo. Quero comprar um presentinho para mimar ele”, diz ela que também é mãe de dois meninos. Heitor foi baleado no domingo de manhã Heitor Souza, de 3 anos, passeava com um tio, quando parou para tomar água em um bar, em Senador Camará, e foi atingido na perna. A princípio, o tio da criança achou que ele estava chorando por causa do barulho dos disparos, mas depois viu que ele estava sangrando.

Um dos tiros pegou na perna de Heitor, que fraturou o fêmur e teve que passar por uma cirurgia.

“Quando o meu tio foi trazer água para ele, ele tava chorando, meu tio ouviu um barulho, aí meu tio foi e falou para ele: ‘não chora, não, que foi um pneu do carro que estourou’. Quando meu tio olhou, estava pingando sangue nele”, contou a mãe do menino.

Segundo o relato desse tio, um carro estava perseguindo uma moto com duas pessoas e atirou. Dois disparos atingiram o bar, um acertou uma cadeira ao lado de Heitor e o outro atingiu o fêmur do menino, que acabou quebrando.

O tio foi para o meio da pista pedir socorro e a dona de uma loja próxima ao bar levou Heitor para a UPA de Senador Camará, de onde ele foi transferido para o Hospital Municipal Albert Schweitzer. Heitor precisou ser intubado e passou por cirurgia para colocar uma placa no fêmur fraturado e tem quadro estável.

O caso foi registrado na 33ª DP (Realengo), mas o inquérito seguirá para a 34ª DP (Bangu), delegacia da área responsável pelo caso.


Fonte: G1

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