Entenda por que a Associação Médica Brasileira mudou de opinião sobre o ‘kit Covid’



Na terça-feira (23), a Associação Médica Brasileira (AMB) mudou de posicionamento sobre os remédios do chamado "kit Covid". A associação, que no ano passado defendeu a autonomia do médico na prescrição da hidroxicloroquina, agora afirma que o remédio – assim como os outros do "kit" – não devem ser usados no tratamento da doença.


Nesta reportagem, você vai entender passo a passo e de forma simplificada por que a entidade mudou de opinião:

  1. A AMB criou um comitê que revisou estudos sobre a eficácia da hidroxicloroquina e de outros remédios do "kit Covid" no tratamento da Covid-19.

  2. Esse comitê concluiu que, segundo os estudos disponíveis, os remédios não funcionavam, afirmou o novo presidente da entidade, o médico César Fernandes, em entrevista ao G1.

  3. Depois dessa análise, a AMB divulgou uma nota em que dizia que o uso os medicamentos do "kit" deveria ser banido do tratamento da Covid.

  4. Esses remédios "banidos" são: hidroxicloroquina, cloroquina, ivermectina, nitazoxanida, azitromicina e colchicina. Além desses, a AMB fala em "outras drogas", mas não cita outros nomes de remédios.

  5. Os medicamentos citados não devem ser usados em nenhuma fase da doença – nem na prevenção, nem na fase inicial, nem na fase avançada.

  6. Em entrevista à GloboNews, o presidente da AMB disse que a nova decisão não é motivada por ideologia política (assista ao vídeo no topo desta reportagem).

O que a AMB disse antes?

  1. No ano passado, a entidade havia defendido a "autonomia do médico" ao prescrever a hidroxicloroquina para tratar Covid. Esse posicionamento é de julho de 2020.

  2. Nessa época, já havia vários estudos que apontavam que o remédio não funcionava (veja lista mais abaixo). Mesmo assim, a AMB manteve a posição.

  3. Em janeiro deste ano, a diretoria da entidade mudou. Nesta semana, a associação divulgou, então, um novo posicionamento – de que os remédios devem ser banidos.

  4. O novo presidente, César Fernandes, reforçou – em entrevista ao G1 e à GloboNews – que a autonomia do médico não dá autorização para que prescreva tratamentos ineficazes (como é o caso da hidroxicloroquina para a Covid-19).

  5. Fernandes também disse que, há um ano, em março, era possível usar a hidroxicloroquina e outros remédios do "kit Covid" para tratar a doença porque os médicos não sabiam se eles funcionavam ou não. Ou seja: na tentativa de achar algo que funcionasse, tudo bem.

  6. Depois, os médicos descobriram que a hidroxicloroquina e os outros remédios não funcionavam. Por isso, o uso deixou de ser recomendado.

  7. O presidente da AMB avaliou que os pacientes podem buscar segunda opinião se receberem receita dos medicamentos do "kit Covid" para tratar a doença.

Veja lista de estudos apontando que a hidroxicloroquina não funciona contra a Covid:

  1. No início de maio, um estudo feito nos Estados Unidos mostrou que a hidroxicloroquina não melhorou o quadro de pacientes hospitalizados com Covid-19. O artigo foi publicado no "New England Journal of Medicine".

  2. Também em maio, uma pesquisa feita na China mostrou que o remédio não funcionava em casos leves a moderados. O estudo saiu no "The British Medical Journal".

  3. Em junho, uma pesquisa com 821 pacientes mostrou que a hidroxicloroquina também não funcionava para prevenção da Covid-19. Também foi publicada na "The New England Journal of Medicine".

  4. Em julho, uma pesquisa feita nos Estados Unidos reforçou o achado de que a hidroxicloroquina não funcionava em casos leves de Covid; publicada na "Annals of Internal Medicine".

  5. No mesmo dia, um ensaio coordenado pela Universidade de Oxford associou a hidroxicloroquina ao agravamento de casos de Covid-19 e mortes.

  6. Ainda no mesmo mês, no dia 22, dois novos estudos publicados na 'Nature' mostraram que a cloroquina e hidroxicloroquina são ineficazes.

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) também divulgou posicionamento afirmando que a hidroxicloroquina deveria ser abandonada no tratamento da Covid-19.

Em fevereiro deste ano, a fabricante da ivermectina, a farmacêutica Merck, disse que os dados disponíveis não apontavam a eficácia do remédio contra a Covid.


Fonte: G1

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