Embaixador chinês ironiza postagem do Ministério da Saúde omitindo origem de insumos de vacina


O embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, ironizou no sábado uma postagem no Twitter do Ministério da Saúde brasileiro que omite a origem de insumos que chegaram da China para a produção de novas doses das vacinas da AstraZeneca contra a Covid-19. A postagem do ministério mencionava apenas que o novo lote do IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) viera do "exterior".


Na rede social, o Ministério da Saúde publicou que "insumos do exterior para a produção de 12 milhões de vacinas AstraZeneca/Fiocruz desembarcaram neste sábado (22), às 17h54, no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro". Poucas horas depois, Wanming postou uma imagem do tuíte, sublinhando "insumos do exterior" e escreveu: "Confúcio disse, feito para amigos, fiel a sua palavra".



Na sequência, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, respondeu à postagem do embaixador, tentando minimizar a omissão: "Agradecemos sempre o apoio do senhor nesse momento de dificuldade sanitária. O @minsaude espera ter sempre a sua parceria para essa e futuras ações".


A publicação de Queiroga foi respondida pelo embaixador chinês, que afirmou: "Estamos unidos e comprometidos para vencer em conjunto a luta contra a Covid-19".


Ainda na noite de sábado, uma hora após a primeira publicação de Wanming, o perfil do Itamaraty no Twitter também agradeceu ao governo chinês. "Com agradecimento à Chancelaria da República Popular da China pelos esforços na pronta liberação dos insumos contratados à Oxford/AstraZeneca", disse a pasta.


O Instituto Butantan havia interrompido o envase de vacinas há duas semanas por falta de insumos para a produção do imunizante chinês CoronaVac, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também anunciou na semana passada que interromperia a produção da AstraZeneca até a chegada de um novo lote.


A troca de postagens ocorreu em um cenário no qual o presidente Jair Bolsonaro e parte dos integrantes do governo, como o ministro da Economia, Paulo Guedes, insistem em atacar a China, atrapalhando negociações para a liberação de insumos para a produção das vacinas no Brasil. Eles sugerem que o país asiático se beneficia economicamente da pandemia, entre outras afirmações sem comprovação.


No início de maio, Bolsonaro insinuou que a China pode ter criado o novo coronavírus em laboratório como parte de uma "guerra química". Já Guedes disse que os chineses "inventaram" o coronavírus. As afirmações contrariam a Organização Mundial de Saúde (OMS), que afirmou que o vírus provavelmente teve origem animal e foi transmitido ao homem por uma espécie intermediária.


Depois das declarações de Bolsonaro e Guedes, que coincidiram com o início da CPI sobre a gestão da pandemia pelo governo federal, o novo chanceler, Carlos França,telefonou para o embaixador Yang Yanming, e o mesmo foi feito por vários governadores e parlamentares brasileiros, numa tentativa de pôr panos quentes na situação.


O governador João Doria (PSDB) tem dito que o atraso na entrega da matéria-prima ao Butantan é motivada por declarações consideradas agressivas de Bolsonaro e de seus filhos sobre a China.


A China tem afirmado que continuará colaborando com o Brasil, e que eventuais atrasos se devem à campanha de vacinação dentro do país, que tem a meta de imunizar 40% dos 1,3 bilhão de chineses até junho.


Fonte: O Globo

5 visualizações0 comentário