Em AL, mais de 9 mil usuários de planos de saúde cancelaram o serviço em 2 anos

Assistida por plano de saúde desde que nasceu, a estudante Julita Salgueiro considerava “óbvio” que as pessoas pagassem por tal serviço. Aos 23 anos e há 2 sem o serviço ela não sabe com as pessoas continuam pagando “tão caro”. Julita é uma das 9.238 pessoas beneficiárias de serviço de assistência médica privada em Alagoas que cancelaram o serviço nos últimos dois anos.

O diagnóstico principal para a situação é a crise financeira que assola o País e afeta, literalmente, a saúde das pessoas. Naquele período de dois anos atrás, em que a recessão econômica batia ainda mais forte à porta do cidadão, eram 380.618 beneficiários de planos de assistência médica no estado. Atualmente, este número é de 371.380.

Os números da ANS evidenciam ainda outro cenário. A adesão aos planos de assistência médica estão diretamente ligados a questão da empregabilidade. Em Alagoas, 49% dos beneficiários têm acesso ao serviço de assistência médica em planos coletivos, a grande maioria empresariais. São 183.865 planos coletivos empresariais no estado. Ou seja, a cada dois beneficiários em Alagoas, um tem acesso ao serviço por causa da empresa em que trabalha.

No ranking nacional Alagoas é o 8° estado com o menor número de beneficiários. No índice regional, ocupa a 3ª pior posição, a frente somente de Sergipe e Piauí. O cenário mostra que, tanto em Alagoas quanto no Brasil, as mulheres estão em maior número como beneficiárias dos planos de saúde. Em Alagoas elas são 204.491 assistidas, o que representa 55% do total geral.

E engana-se quem pensa que plano de saúde é para pessoas mais velhas, ou que elas são as que mais usam o serviço. Pelo contrário, a população menos coberta pela assistência médica privada em Alagoas está na faixa etária dos 75 a 79 anos, são 5.931 beneficiários nessa faixa. Já a faixa etária com mais beneficiários é a de 30 a 34 anos, neste grupo são 35.834 beneficiários.

Plano de saúde era costume desde o nascimento

Os relatos de quem precisou cortar o gasto com plano de saúde revelam que a crise mudou os costumes das pessoas, que agora se juntam aos milhares na filas do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Eu tinha plano de saúde desde meu nascimento até os 21 anos de idade. Minha mãe quem contratou por razões óbvias de um bebê necessitar sempre de atendimento médico”, conta a estudante Julita Salgueira. Ela diz que ficou com o plano até os 18 anos, uma vez que o plano era pediátrico.

“Vai fazer dois anos que estou sem plano de saúde por questões financeiras. O plano se tornou caro e não estava correspondendo ao investimento. Sempre que eu precisava marcar uma consulta, era uma burocracia, não tinha vagas, só tinha vaga para, no mínimo, 1 mês e meio. E eu pensava: está ficando pior que o SUS?. Decidi então cancelar o plano de saúde”,destaca.

Julita diz que pensar em voltar a ter um plano de saúde por causa de exames. “É o que eu mais sinto falta. Há um tempo não realizo exames de rotina, pois são caros. Mas em relação a atendimento médico, prefiro ir a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA)”, pondera.

Situação parecida com a de Julita passa o jornalista Rafael Guedes. Beneficiário de plano de saúde desde que nasceu, ele diz que quando começou ele mesmo a pagar foi percebendo que não valia a pena. “Desde pequeno tive plano de saúde, mas quem pagava era minha mãe. Optei por contratar um seguro saúde individual, que é mais barato e disponibiliza os mesmos atendimentos”, conta.

Rafael cancelou o plano há dois anos, segundo ele por não fazer uso. “Pesou o fato de estar pagando uma mensalidade considerável e não estar usufruindo do plano”, afirma.Todavia, Rafael diz que pensa em recontratar um plano, pois sente falta de realizar baterias de exames. “Fazer aquele velho check-up. É exatamente disso que sinto falta, dos exames de rotina que precisamos fazer anualmente”, diz.

Segundo ele, a crise o forçou a cortar gastos. “Venho cortando vários gastos desnecessários, por exemplo: cinema, que tá caríssimo, lanches e restaurantes durante a semana, serviços de TV por streaming e até mesmo pensar bem em comprar uma roupa, sempre me pergunto: será que vou usar bastante? Os gastos essenciais já são muito altos, energia, condominio, carro, gasolina, seguro. O plano de saúde também é um, mas a gente acaba dando um jeitinho com a UPA e outros serviços públicos”, revela.

Problema financeiro acarreta em mudança social

Até os 24 anos a estudante Aline dos Santos (nome fictício usado a pedido do personagem) não sabia o que era uma hospital público. “Quando passava mal era pegar o cartão e ir para o hospital. Uma dor e eu já corria”, lembra. Moradora de um bairro nobre da capital ela conta que de casa, onde mora com o pai e a mãe, apenas a mãe continua beneficiária de um plano de saúde por adoecer com mais frequência.

“Teve um hora que ou era o plano dos três ou sair para um apartamento menor ou para outro bairro”, revela. Na escolha entre moradia e saúde, a moradia levou a melhor.No entanto, ela reconhece que sente-se envergonhada quando precisa utilizar o SUS. ?Acho estranho, até no tratamento, a forma como as pessoas chegam e fica”,comenta. “O que mais lembro é de ter que esperar para fazer um exame e não saber quem era meu médico, não ter um ?médico da família? que já me conhece desde pequena e ser atendida pelo que estiver disponível”, relata.

A jovem pontua que o “sacrifício” vale a pena. “Dá para usar o dinheiro da mensalidade com gastos de consumo, mas o preço é torcer para não adoecer e aturar algumas situações”, desabafa. 

Fonte: Gazetaweb

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